Diversidade agrícola ajuda a acelerar a economia no Planalto de Conquista
Barra do Choça reunia, em outros tempos, diversos elementos que alimentavam sua condição de apêndice do município de Vitória da Conquista, terceiro do Estado, com cerca de 300 mil habitantes, e do qual está distante geograficamente apenas 27 quilômetros.
Tudo pesava: o município era pobre, detinha um dos piores índices de Desenvolvimento Infantil (IDI) do País e a economia declinava, em razão da substituição dos cafezais por pastagens.
Mas, ressurgindo, chama a atenção pela revitalização. De acordo com o "Atlas do Desenvolvimento Humano", elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Barra do Choça entra para a história como a cidade com melhor distribuição de renda no Brasil, ao lado de Santa Maria do Herval (RS).
Um dos segredos está na fixação do homem no campo. Em Barra do Choça, a maior concentração populacional está nas lavouras e nas comunidades rurais.
Individualmente, o município detém 35% das lavouras de café da região, contribuindo com 40% da produção total da Bahia.
Esta situação seria fruto da união dos pequenos cafeicultores da região que, com o fortalecimento da agricultura familiar, transformaram o município de Barra do Choça, de 545 quilômetros quadrados e pouco mais de 50 mil habitantes, no maior produtor individual de café do Norte e Nordeste do País.
O café responde a 83% da atividade econômica do Planalto de Conquista e da ocupação da mão-de-obra. São 25 milhões de cafeeiros, com uma produção média anual de 600 mil sacas (de 60 kg) e 20 mil vagas de trabalho no período de colheita e de 6 mil na entressafra.
UM DOS MELHORES – A região detém, ainda, o título de 5º melhor café do País, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). A média produtiva está abaixo das 25 sacas/hectare colhidas no oeste baiano, por exemplo, mas a produção individual supera essa marca com folga. Alguns colhem acima de 100 sacas por hectare.
Um dos grandes nomes da cafeicultura local é o do produtor Josinaldo Barros Pereira, detentor de três prêmios nacionais, com colheita de até 120 sacas por hectare – sete vezes mais que a média nacional – que é de 17 sacas por hectare.
O segredo, diz ele, está na tecnologia empregada. Uma mistura de técnicas brasileiras, israelense e americana. “Some isso aos tratos culturais na roça de 110 hectares, onde produzimos 13 mil sacas de café fino por ano”, comemora.
O café orgânico, por sua vez, não foge à regra. A despeito de o Planalto de Conquista possuir a maior produção individual de café não-orgânico do Norte e Nordeste, com até 140 sacas por hectare, o orgânico ”engatinha“ com tímidas 25 sacas no mesmo espaço.
27.mil toneladas foi o volume da produção de café registrado este ano, no município de Barra do Choça, no Planalto de Conquista 23.mil hectares foi a área plantada com cafeeiros, nesta fase de crescimento da cultura no município de Barra do Choça 22.mil hectares foi a área colhida na última safra, correspondendo as 35% das lavouras de café da região do Planalto de Conquista possuir a maior produção individual de café não-orgânico no Norte e Nordeste, com até 140 sacas por hectare, o orgânico "engatinha" com tímidas 25 sacas no mesmo espaço.
Concurso de qualidade busca a hegemonia
Para manter a excelência do produto e disputar em condições de igualdade com os melhores frutos produzidos no País, os grãos de café do município de Barra do Choça enfrentam rigoroso processo de seleção.
Palestras com especialistas de renome internacional, seleção interna e as amostras dos produtores locais disputando ente si em concursos regionais completam o quadro de refinamento. Além de avaliar a qualidade, os concursos premiam os cafeicultores, estimulando-os a produzir o café especial e agregar valores ao produto.
O município de Barra do Choça é o primeiro no País a realizar um concurso de qualidade.
O secretário de Agricultura do município, Ubirajara Amorim, diz ser um dos defensores da diversificação, mas sem abrir mão do café como principal cultura.
“A cana-de-açúcar é bem-vinda, mas não pode ser em detrimento da redução do pólo cafeeiro. Estamos sempre apostando na qualidade e na produtividade e jamais pensando em erradicar o café, cuja função social é muito maior”, diz o secretário.
Segundo dados divulgados pela Prefeitura de Barra do Choça em seu site na internet, o café tem funcionado como importante gerador de renda no estado e mantém em torno de 250 mil empregos em toda a cadeia, sendo que, na colheita, chega a 400 mil.