Educação, saúde e agricultura entre as prioridades de Irecê e Chapada Diamantina
Acompanhado de seis secretários de estado, o governador Jaques Wagner abriu ontem, em Irecê, mais uma assembléia de elaboração do Plano Plurianual Participativo. O evento reuniu 631 participantes das regiões de Irecê e da Chapada Diamantina. A elaboração do PPA envolve a realização de assembléias em 26 territórios de identidade, e se estende até o dia 17 de junho.
Ao final de uma tarde de discussões, os participantes da assembléia definiram como áreas prioritárias a educação, a saúde e a agricultura com desenvolvimento rural. Essas prioridades, que vêm sendo constantes nas assembléias já realizadas, coincidem com as que foram definidas pelo governo Jaques Wagner (saúde, educação e geração de emprego e renda), já que o desenvolvimento da agricultura, sobretudo da agricultura familiar, é importante instrumento gerador de renda para a população rural.
Na assembléia, que teve a Secretaria da Agricultura como organizadora, a região de Irecê teve 532 participantes enquanto a Chapada Diamantina contou com 99 representantes inscritos. Entre os participantes, Valdeni Machado Novaes, presidente de uma associação de pequenos agricultores do povoado de Itapicuru, na região de Irecê, considerou muito importante a realização de uma reunião desse tipo, ressaltando que nenhum outro governo estadual, anteriormente, se preocupou em discutir com a sociedade a elaboração de seu plano plurianual.
Água e energia
“Isso sempre foi feito entre quatro paredes”, disse ele, revelando que entre as sugestões que levou à discussão na assembléia uma era a de se conceder linhas de crédito aos produtores para o desenvolvimento de pequenos projetos de criação, sobretudo de ovinos e caprinos, e a perfuração de poços artesianos, “para matar a sede do pequeno produtor”.
Segundo ele, já existem até muitos poços perfurados na sua região, mas grande parte deles não pode ser utilizada porque não se instalaram bombas hidráulicas nem os encanamentos indispensáveis ao seu funcionamento. Com pequenos investimentos em água e energia, assegura Valdeni, muitas pequenas propriedades se tornam mais rentáveis, ganhando condições de pagar financiamentos para implementar a produção.
“Em vez disso, estamos com a agricultura falida e abandonada na região de Irecê”, conclui o pequeno produtor. Não foi por acaso que as ações vinculadas à agricultura estavam entre as mais solicitadas na reunião, tanto entre os representantes da região de Irecê quanto entre os dos municípios da Chapada Diamantina.
A secretária de Educação do município de Mulungu do Morro, Anete Maria Batista de Souza, foi à assembléia defender maiores investimentos na educação, mas entende também que a agricultura familiar precisa de amplo apoio, na forma de crédito e assistência técnica. Ela considerou muito positiva a discussão do PPA com a sociedade, que, “pela primeira vez tem a oportunidade de levar ao governo suas necessidades mais gritantes”.
Elefante branco
Militante do MST no município de Itaetê, na Chapada Diamentina, José Luiz de Jesus Serra pede projetos que incentivem a produção e o beneficiamento da mamona em seu município, que já é um dos grandes produtores da oleaginosa no Estado. José Luiz informa ainda que Itaetê tem 10 áreas de assentamento rural reclamando obras de infra-estrutura, como estradas, escolas, abastecimento de água, além de apoio técnico para incremento da produção agrícola.
Segundo ele, a barragem Bandeira de Melo, feita para regularização do Rio Paraguaçu não traz nenhum benefício à região, seja como manancial de água (já que não existem adutoras), seja como criação de peixe. “Trata-se de um elefante branco“, diz ele, reivinicando também a construção de novas barragens no Rio de Uma e de uma ponte sobre o Paraguaçu, entre os municípios de Itaetê, Boa Vista do Tupim e Nova Redenção.
A preocupação de Manoela dos Santos Costa é com a Educação e a Cultura. Assessora da Pastora da Juventude, em Irecê, ela entende que uma cidade do porte de Irecê, polarizando muitos outros municípios à sua volta, “não pode continuar sem um teatro e um cinema”. Ela defende uma política de incentivo às manifestações culturais da região, como o Festival das Primeiras Águas, que se realiza em dezembro, nos municípios de Jussara e Barro Alto, e as Cantorias, realizadas em junho, no município de São Gabriel.
Manoela considera importante a iniciativa do governo de definir suas prioridades discutindo democraticamente com a sociedade e torce para que as sugestões aprovadas não fiquem apenas no papel. Para que isso não ocorra, a coordenação do PPA Participativo decidiu que em cada território, a assembléia eleja dois representantes para acompanhar todo o processo de elaboração do plano e sua implementação. Os representantes do território de Irecê são Deyse Lago de Miranda e João da Cruz de Souza; os escolhidos pelo território da Chapada Diamantina são Reginaldo Azevedo Lima e Smitson Oliveira.
Parceria importante
Ao encerrar os trabalhos de um dos grupos, o secretário da Agricultura, Geraldo Simões, parabenizou os participantes pelo interesse demonstrado em melhorar as condições de vida em suas regiões, lembrando que as necessidades são inúmeras enquanto os recursos para atendê-las são limitados. “Daí a importância de definir as prioridades ouvindo a população”, explicou.
Simões defendeu ainda necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa e extensão rural para desenvolver e disseminar técnicas e tecnologias que potencializem as diversas cadeias produtivas no Estado. Ele lembrou, por exemplo, que experiências desenvolvidas pela Embrapa, Banco do Brasil e Fundação Odebrecht, conseguiram elevar de 12 para 48 toneladas por hectare a produtividade da mandiocultura no Baixo Sul.
Para ele, é importante que o Estado mantenha uma estreita parceria com o Governo Federal, como aconteceu no combate aos efeitos do fenômeno da maré vermelha, na Baía de Todos os Santos, e na elaboração de um plano para recuperação da economia da região cacaueira.
Por fim, o secretário da Agricultura lembrou que a região semi-árida é uma das prioridades do governador Jaques Wagner. “Temos de trabalhar muito, e de forma integrada governo e sociedade, para reverter índices como os 25% de analfabetismo e as 65 mortes antes do primeiro ano de vida em cada mil crianças nascidas”, concluiu.
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