Crescem as importações indianas de óleo de soja
Maior país importador de óleos vegetais comestíveis do mundo, a Índia começou, nos últimos meses, a substituir parte do que previa comprar de óleo de palma nesta safra 2006/07 por óleo de soja. Ambos estão em alta no exterior, em razão da forte demanda global para a produção de alimentos e biodiesel, mas o derivado da palma - maior parte das importações indianas - vem subindo mais.
Com isso, estima A. R. Sharma, presidente da principal entidade ligada à Associação de Indústria e Comércio de Óleos Vegetais da Índia, o país deverá importar 1,6 milhão de toneladas de óleo de soja em 2006/07 (novembro a outubro), 200 mil a mais que o previsto inicialmente. Em 2005/06, foram 1,7 milhão. Já as compras de óleo de palma, antes projetadas em 3,4 milhões de toneladas, deverão ficar em 3,2 milhões, ante 2,5 milhões em 2005/06.
Sharma esteve ontem na sede da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), em São Paulo, em mais uma escala de um tour de empresários indianos - liderado por ele - por Argentina, Brasil e Paraguai, principais fornecedores do óleo de soja importado pela Índia. Em 2006, as exportações brasileiras ao país atingiram 225 mil toneladas; em 2005, foram 433 mil.
"Hoje, 40% da nossa demanda por óleos vegetais em geral é atendida por importações. Temos políticas e iniciativas para elevar a produção doméstica, mas continuaremos dependentes de importações nos próximos anos", disse Sharma. Com a economia indiana crescendo quase 10% ao ano, seu ainda pequeno consumo per capita de óleos (11 quilos por habitante ao ano), vem crescendo cada vez mais rapidamente.
Em 2006, a demanda indiana por óleos vegetais comestíveis somou 12 milhões de toneladas; em 2015, deverá atingir 21,3 milhões. Já as importações, que no ano passado foram de 5 milhões de toneladas, deverão saltar para 8,3 milhões em 2015, conforme projeções apresentadas por Sharma. Segundo ele, o avanço acontecerá apesar das salgadas tarifas de importação que a Índia impõe sobre os óleos. Nesse quadro de dependência, diz, ainda é difícil para o país pensar no biodiesel como opção ao petróleo. Nesse campo, o etanol tende a concentrar as apostas, já que o país produz cana.
FERNANDO LOPES