Seagri discute programas para a agricultura familiar

01/06/2007

Seagri discute programas para a agricultura familiar


 

Com a proposta de dinamizar a produção e a rentabilidade das propriedades rurais no âmbito da agricultura familiar, a Secretaria da Agricultura da Bahia, anunciou hoje (1º), no Centro de Treinamento da EBDA, em Itapuã, um pacote com 10 diferentes programas, contemplando ações que vão beneficiar todo o universo de agricultores familiares do Estado.
Entre muitas outras metas estabelecidas, os programas vão promover o cultivo de 300 mil hectares de oleaginosas; plantio e renovação de 150 mil hectares de cacau; de 200 mil hectares de mandioca, frutas, flores, inhame, pupunha, cravo e seringueira; de 80 mil hectares de dendê, e a construção, até 2010, de 24 mil casas com quintais produtivos.


O conjunto de programas foi apresentado e amplamente discutido durante o 1º Seminário de Políticas Públicas da Agricultura Familiar, que reuniu quinta e sexta-feiras últimas, técnicos e representantes da EBDA, Adab, Ceplac, Ministério do Desenvolvimento Agrário, instituições financeiras como Desenbahia, Banco do Brasil e Banco do Nordeste, além de entidades representativas dos pequenos produtores como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) e Movimento dos Pequenos Produtores (MPA).


As discussões serviram para aprimorar cada um dos programas integrantes do pacote e definir as estratégias de operacionalização em cada território, bem como implantar um sistema permanente de avaliação e monitoramento dos programas públicos com os movimentos sociais. A intensificação das ações de assistência técnica e extensão rural voltadas à agroindustrialização, além do apoio à comercialização foram algumas das reivindicações mais presentes durante as discussões.


Um dos programas integrantes do pacote, o Uniater, vai universalizar a assistência técnica e a extensão rural, beneficiando diretamente 600 mil pequenos agricultores, que passam a ter acesso sistemático às informações tecnológicas e ao crédito. Para a implementação dos projetos, o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) ampliará de R$ 370 milhões para R$ 700 milhões anuais os recursos destinados ao crédito rural na Bahia.


Ao encerrar hoje o seminário, o secretário da Agricultura, Geraldo Simões, reafirmou que a agricultura familiar é uma das prioridades do governo Jaques Wagner, acrescentando que as discussões ocorridas no evento servirão para montar um completo programa de ações voltadas a esse segmento. ”A discussão democrática sobre as ações prioritárias contemplam melhor os setores interessados e nos torna, a todos nós, comprometidos com seu êxito”, disse ele. 


“Temos a maior agricultura familiar do Brasil, com 625 mil famílias, mas, sem assistência técnica, infraestrutura e apoio à comercialização, ela tem produzido pouco e mal, o que leva a dificuldades de acesso ao mercado”, explicou Geraldo Simões, afirmando que os programas chegam para resolver esses problemas. Ele exemplificou com o caju, o mel e a carne de caprinos, que, devem ter valor agregado, passando por beneficiamento e sendo adequadamente embalados, para disputar o mercado em melhores condições.


Além do Uniater, o pacote a ser anunciado engloba ainda os projetos “Bio-Sustentável”, “Uni-Pronaf”, “Sertão Produtivo”, “Semeando”, “Secaf”, “Integrar”, “Produzindo e Preservando a Mata Atlântica”, “São Francisco” e “Habitar com Cidadania”.


O elenco dos programas apresentados se volta, sobretudo, ao desenvolvimento rural sustentável, com geração de trabalho e renda para os pequenos produtores familiares. Representando um dos principais eixos de trabalho da Superintendência de Agricultura Familiar, da Seagri, o pacote, intitulado Programa de Inserção Produtiva, Sustentável e Cidadã da Agricultura Familiar, tem, em cada um de seus projetos, metas pré-definidas para os próximos quatro anos.


O programa contempla o segmento da agricultura familiar como um todo, enfatizando, por exemplo, da inserção dos pequenos agricultores na base de produção e beneficiamento das culturas fornecedoras de óleo para fins de biodiesel e do desenvolvimento das principais cadeias produtivas do semi-árido baiano.


“A idéia é aperfeiçoar o sistema de policultivos, verticalizando e ampliando a produção das pequenas propriedades, promovendo a integração em rede e a inserção competitiva dos produtos da agricultura familiar nos mercados local, nacional e internacional”, define o superintendente da Agricultura Familiar, Ailton Florêncio. 


Outra preocupação está no fomento à produção de sementes e mudas de oleaginosas, frutíferas e lavouras alimentares, bem como a sua compra e distribuição de forma emergencial junto aos agricultores. Para isso, está sendo desenvolvido o projeto Semeando, que deve atingir uma produção de 1,2 mil toneladas de sementes por ano, até 2010.


A agricultura familiar responde, no Brasil, por sete de cada 10 empregos gerados no campo, e por cerca de 40% da produção agrícola. Atualmente, cerca de 35% dos alimentos que compõem a cesta alimentar distribuída pela Conab originam-se da agricultura familiar. E a maior parte dos alimentos que abastecem a mesa dos brasileiros vem das pequenas propriedades, sendo 84% da mandioca, 67% do feijão, 58% dos suínos, 52% do leite, 49% do milho e 40% das aves e ovos.


A Bahia concentra o maior número de estabelecimentos rurais de base familiar do país (89% dos agricultores do Estado), superior aos índices do Brasil (85%) e do Nordeste (88%). As pequenas propriedades rurais ocupam uma área de 11,3 milhões de hectares e ocupam mais de 3 milhões de pessoas.


Pedro Formigli
Assessoria de Imprensa – Seagri
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