Soldados chegam a Cabrobó
Cinqüenta soldados do 2º Batalhão de Engenharia do Exército (2º BEC), sediado em Teresina (PI), chegam, hoje à tarde, a Cabrobó, Pernambuco, para dar início aos trabalhos de montagem do acampamento e abertura dos canais no Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco.
Os militares saíram da capital piauiense às 5 horas e têm chegada prevista para as 17 horas, em Cabrobó, onde ficarão acampados a 15 quilômetros da cidade.
Conforme explicou o major Aristócles Pessoa, comandante operacional do 2º BEC, a tropa deverá permanecer por 15 meses na região, período em que irão construir um dique para receber as águas do Rio São Francisco, além de seis quilômetros de canais até cruzar com a BR-245, quando então será iniciada a segunda etapa dos trabalhos. Até meados da próxima semana, o contingente militar deverá ser reforçado, atingindo um total de 600 homens.
Hoje, devem chegar a Cabrobó mais dois tratores, três caçambas e 50 homens, que irão se juntar ao grupo avançado liderado pelo sargento Vinicius Dias, que desde a última quinta-feira se encontra na cidade.
Os soldados ficarão numa área de dois hectares da Fazenda Mãe Rosa, a 15 quilômetros de Cabrobó e a seis quilômetros do ponto de captação de água, localizado na Fazenda Trucutu, nas margens do Rio São Francisco.
Ontem à tarde, chegaram mais equipamentos do 2º BEC: caminhões com mantimentos para uma semana e brita para construção no acampamento. O contingente que vai ficar sediado em Cabrobó tem equipamentos que estavam sendo utilizados em João Pessoa, nas obras de duplicação da BR-101, e emFloresta, onde as obras ainda não começaram. Não foi montado acampamento, segundo assessoramento de engenheiros do 4º Batalhão de Engenharia de Construção (4º BEC), sediado em Barreiras na Bahia.
ATRASO – Enquanto as obras avançam em Cabrobó, com a chegada de reforço militar previsto para hoje, no município de Floresta – a 94 quilômetros dali –, onde será implantado o chamado Eixo Leste, as obras sequer começaram.
Os trabalhos ali serão executados pelos militares do 1º BEC, de Caicó (RN), e pelos do 3º BEC de Picos (PI), com apoio de engenheiros do 4º BEC de Barreiras.
Em Floresta, as obras de transposição vão passar pela Fazenda Mari, situada a 30 quilômetros da cidade, onde os piquetes marcam o traçado do canal, de 25 metros de largura e oito de profundidade, que irá retirar a água do São Francisco a partir do lago da Barragem de Itaparica, na divisa dos Estados da Bahia e de Pernambuco.
A propriedade, de 700 hectares, é de Adailton Gomes de Souza e fica situada na borda do lago.
Possui um pivô central de 450 metros de extensão – programado para irrigar uma área de 50 hectares –; mil cabeças de caprino e benfeitorias em pastagem; plantio de tomate e melão; e construção.
O proprietário ainda não foi indenizado porque há divergências de valores entre o que propõe com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
Conforme explicou o gerente da fazenda e cunhado do proprietário, Luiz Gomes de Sá, oficiais do Exército estiveram na semana passada na região, realizando novas medições, mas, ao contrário do que foi anunciado pelo Ministério da Integração Nacional, não informaram quando começarão a obra da transposição.
A preocupação na região é quanto à definição dos valores das indenizações. Muitos proprietários, como Luiz Gomes de Sá – dono de uma fazenda situada a 24 quilômetros do ponto da transposição, que teve 800 metros invadidos pelas medições do futuro canal do Eixo Leste –, reclamam que não foram comunicados sobre pagamentos. “Não sabemos de nada e não nos informaram sobre o início das obras”, diz.
ADILSON FONSÊCA