Na busca das áreas de cultivo perdidas nos últimos 10 anos

04/06/2007

Na busca das áreas de cultivo perdidas nos últimos 10 anos

Em 1997, somente no sertão pernambucano, no Vale do São Francisco, havia quase 24 mil hectares cultivados com mandioca. Ao longo dos últimos 10 anos, a área foi reduzida e, atualmente, não passa de 15 mil hectares, levando técnicos e pesquisadores da Embrapa SemiAacute;rido, em Petrolina (PE) a desenvolver pesquisas sobre a redução, inclusive na região baiana de Juazeiro e Casa Nova.


A intenção dos pesquisadores é reverter este quadro, desde que os produtores, a maioria agricultores familiares, passem a aplicar novas tecnologias. A Embrapa mantém, para experiências, duas áreas de quase um hectare com cinco plantas de cada variedade, com as quais analisa características diferenciadas de folha, cor, altura, formação e adaptação da cultivar.


Na avaliação da pesquisadora e engenheira agrônoma Alineaurea Florentino Silva, a plantação de mandioca nas áreas mais secas da região tem sofrido abalos em diversos setores da cadeia produtiva e, por esse motivo, foi substituída por atividades nem sempre adaptadas ao clima e solo locais. “São problemas que precisam ser enfrentados pelos produtores e, para saber como modificar a realidade atual, precisam criar mecanismos que coordenem os segmentos agrícolas e empresariais que atuam na cadeia produtiva”, diz.


A pesquisadora diz que um dos maiores problemas é a resistência em substituir técnicas artesanais, que não têm mais a eficácia de antes, por novas medidas. “Muitas vezes, a dificuldade ou inexistência do acesso à informação faz com que esses agricultores não tomem conhecimento do que existe de novo e pode ser aplicado nas culturas para melhorar, principalmente quanto ao material de cultivo”, esclarece Alineaurea.

Segundo ela, os agricultores familiares perdem maniva (caule da mandioca que possibilita o plantio) por não está no ponto certo do plantio ou apresentar doenças (patógenos), inviabilizando o plantio. “Alguns agricultores pegam a maniva que foi cultivada em área irrigada e quer aplicar em área de sequeiro. Não é possível fazer isso, pois o desenvolvimento da planta não será o mesmo e ele vai perder o produto”, alerta.

SEMINÁRIO – A intenção da Embrapa SemiAacute;rido é, em parceria com produtores e pesquisadores e apoio de diversos setores, incluindo poderes públicos dos da Bahia e Pernambuco, adotar estratégias comuns de produção, processamento e comercialização da mandioca e uma variedade de outros produtos processados, como farinha, fécula, raspa, dentre outros. Na semana passada, foi realizado um seminário abordando a cadeia produtiva da mandioca no submédio São Francisco. Produtores, criadores e técnicos de instituições públicas e privadas debateram os problemas da cultura da mandioca com apresentação de propostas de soluções para o negócio da cultura na região.


A defesa da mandiocultura está pautada no fato de "ser uma cultura bastante versátil e produtiva, além de tolerante às condições ambientais do semiaacute;rido. Por esta característica de rusticidade, as áreas destinadas ao cultivo nas propriedades têm sido as marginais, menos férteis, com pouco ou nenhum uso de tecnologias apropriadas e nas épocas menos adequadas do período chuvoso", argumenta a pesquisadora Alineaurea. E completa dizendo que "a perda de produtividade nesta atividade é um dos problemas mais graves e desestimulantes para os agricultores da região".


O seminário reuniu aproximadamente 90 produtores, o que, nesse momento, representa um número em fase inicial, mas que poderá aumentar nos próximos eventos com base no que foi informado aos presentes. “O produtor chegou com questionamentos, mostrando que tem interesse em aprender e que está consciente de que o material que tem nas mãos não vai servir para o plantio sem que haja adequação das experiências realizadas pela Embrapa e isso já é um passo importante", comentou a pesquisadora. Em maio do ano passado, havia 400 hectares plantados em Petrolina e os pesquisadores querem aumentar, também, em Juazeiro e região e reverter os índices de plantio superando, o de 10 anos atrás.

CRISTINA LAURA