Brasil negocia acordo de etanol com a Índia

05/06/2007

Brasil negocia acordo de etanol com a Índia

A cúpula do governo brasileiro deixa a Índia hoje, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em visita oficial desde domingo, confiante de que poderá fechar com o governo indiano uma parceria para aumentar a produção de etanol no país, com a utilização da tecnologia brasileira. A proposta é que o parceiro do G-20 aumente de 5% para 10% o percentual de etanol já misturado à gasolina em nove estados do país ou mantenha os 5% em todos os 27 departamentos indianos.

Uma primeira conversa direta sobre o assunto foi mantida ontem entre Lula, o ministro de Petróleo e Gás da Índia, Murli Deora, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O tema foi incluído à última hora na agenda da visita oficial, pedido do Brasil. Ao final do encontro, Lula estava exultante.

“Se depender do meu entusiasmo, todo o mundo vai entrar na era do biocombustível. O mundo todo vai entrar. Para mim, é irreversível”.

Questionado se o Brasil teria condições de fornecer etanol aos potenciais interessados, Lula respondeu: “O Brasil não quer fornecer para todo o mundo. O Brasil quer incentivar que países pobres tenham condições de plantar.

Imagina se o mundo inteiro começar a utilizar 10% (de etanol na gasolina). Se o mundo inteiro começa a usar 10% de biodiesel junto com o óleo diesel, o que você não vai poder produzir lá em Minas, lá na terrinha!” Na Índia, o etanol é produzido do melaço da cana. A proposta do Brasil é que passe a produzir da cana.

Segundo Gabrielli, os produtores de açúcar da Índia estão interessados em receber a tecnologia brasileira. A Índia é o segundo maior produtor de açúcar do mundo, e a previsão é que ultrapassará a produção brasileira. Mas o país carece de tecnologia para aumentar a produtividade. Segundo Gabrieli, a Índia tem uma área de plantação semelhante à brasileira, mas produz dois terços do que é produzido no Brasil.

“Do ponto de vista mundial, só haverá mudança substancial na política de etanol se tiver regulamentação por parte dos governos e várias fontes (países) de produção”, disse Gabrieli, lembrando que é um processo demorado. “Tem que ter disponibilidade de produção, logística de transporte e acesso ao consumidor”.

PETROBRAS – Gabrielli informou ainda que a parceria entre a Petrobras e a empresa petrolífera indiana ONGC – principal acordo assinado na visita oficial – prevê investimentos iniciais de US$ 2 bilhões, para os trabalhos de identificação e prospecção. A Petrobras vai explorar três blocos (com um ou mais campos de petróleo) em águas profundas na costa leste da Índia. A ONGC, que é parceira da Shell em Campos, vai explorar outros três no Brasil: no Maranhão, em Sergipe/Alagoas e em Santos.

Na reunião sobre etanol com o indiano, Lula quis mostrar o tamanho de sua determinação em investir nas parcerias comerciais e provocou: “Emoutros governos, a Petrobras ficava em cima do muro, tinha medo de investir. Mas no meu governo é para investir muito”, disse, dirigindo-se a Gabrielli. “Quanto vamos investir de cara neste acordo com a ONGC?”. “Um bilhão de dólares de cada lado, presidente”, respondeu Gabrielli. “É isso! Temque investir. Esse é o caminho”, completou Lula.

Lula participou ainda da inauguração do Fórum Empresarial BrasilIacute;ndia, no qual, às vésperas de embarcar para a Alemanha, onde participará na sexta-feira, como convidado, da reunião do G-8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia), fez um agressivo discurso contra o protecionismo e a hegemonia dos países ricos.

Ele conclamou empresários brasileiros e indianos a serem mais ofensivos na busca de negócios e parcerias que possam tornar os dois países mais competitivos e independentes, consolidando-se como atores indispensáveis no cenário internacional. “No âmbito da OMC, forjamos o G-20, que nos credencia como interlocutores indispensáveis, articulando posições de países em desenvolvimento em torno de uma agenda comum: fazer de Doha uma verdadeira rodada do desenvolvimento”, disse. Depois, no improviso, o presidente brasileiro fez críticas aos países ricos.