A Agrovale substituiu o enxofre pelo ozônio em seu processo industrial de branqueamento do açúcar cristal. A nova tecnologia entrou em operação na usina, localizada em Juazeiro, distante 500km de Salvador, no dia 23 de abril. Segundo informações divulgadas pelo engenheiro químico Leozildo Pedrosa, superintendente de produção industrial, a inovação exigiu investimento de R$1,2 milhão, parte do aporte geral de R$4 milhões que foi realizado na melhoria do parque da empresa.
A clarificação do açúcar a partir de ozônio é um precedente para a exportação da commoditie para os mercados da Europa e Estados Unidos – onde o produto só é aceito com o selo sem enxofre. Mas esse não parece ser o propósito da mudança de tecnologia até então adotada pela usina baiana. Segundo Pedrosa, a exportação de açúcar não é objetivo da empresa. A justificativa apresentada para a inovação foi a busca de modernização do processo produtivo.
A Agrovale não esconde que está centrando esforços na produção de álcool, processo que também é melhorado com a clarificação a partir de ozônio. Segundo a empresa Gasil – Gases e Equipamentos, responsável pela tecnologia de uso do ozônio, o produto proporciona a produção de um combustível mais puro, com qualidade superior em termos de condutividade, PH, além da diminuição da produção de resíduos.
Em 2007, a agroindústria anuncia que vai produzir 70 milhões de litros de etanol, contra os 42 milhões fabricados no ano passado. Em contrapartida, haverá queda na produção de açúcar: dos dois milhões de sacos de 50kg, em 2006, o volume será reduzido para 1,6 milhão de sacos, em 2007.
“No mercado do Nordeste, temos a participação de 10% do açúcar produzido e, na Bahia, atingimos 80%”, afirma o superintendente de produção industrial da Agrovale. A empresa possui 16.530 hectares plantados com cana-de-açúcar e registra produtividade de 102 toneladas por hectare. Cerca de 98% da produção industrial de açúcar cristal e 75%, do volume de álcool, são comercializados no mercado baiano.
TATIANY CARVALHO