Biocombustíveis elevam receita do agronegócio

06/06/2007

Biocombustíveis elevam receita do agronegócio

O aumento mundial do uso de biocombustíveis começa a afetar fortemente a agricultura brasileira – e para o bem. O fenômeno não é apenas sentido na exportação de álcool, que cresceu 108% nos primeiros quatro meses deste ano, sobre igual período do ano passado, atingindo US$ 490 milhões em receita. O milho também está sendo beneficiado. As vendas externas do grão cresceram 313,5% no primeiro quadrimestre, para US$ 260 milhões.

As culturas da soja – da qual o Brasil é o maior exportador e o segundo maior produtor do planeta – e do algodão são as próximas a sentir o impacto, segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Isso ocorre porque os EUA estão, cada vez mais, usando milho para fazer etanol, o que eleva o preço mundial do produto e aquece a procura pelo produto brasileiro.

Segundo dados divulgados, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento, o segmento viverá o maior crescimento entre as culturas, com expansão estimada de 19,2% no ano (de 42,5 milhões de toneladas, em 2006, para 50,7 milhões de toneladas). “A questão energética dos EUA ainda vai ter impactos por um bom tempo na agricultura brasileira, pois eles têm toda a área agricultável utilizada e qualquer expansão de uma cultura significa redução de outra, como soja e algodão, com forte impacto no mercado mundial”, afirmou Antônio Beraldo, assessor técnico da CNA.

A entidade alerta que, no longo prazo, isso pode trazer efeitos nocivos para a economia brasileira – o aumento do preço do milho poderá, em última análise, elevar o custo da ração para a produção de aves e suínos, por exemplo. Mas, em geral, o País tende a ganhar: seja com o álcool, seja com as outras culturas.

HENRIQUE GOMES BATISTA