Preços dos produtos cresceram 12,5%
O desempenho da balança comercial está “revogando leis da economia”. A opinião é do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Meziat. Apesar da queda na cotação do dólar em relação ao real, as exportações seguem fortes. E, dessa vez, não é só a alta dos preços no mercado internacional que está mantendo as vendas ao exterior, como aconteceu em 2006.
Os dados mostram também crescimento nas quantidades embarcadas. No ano passado, o preço médio dos produtos exportados pelo Brasil cresceu 12,5%. Em quantidade, porém, as vendas ao exterior aumentaram apenas 3,2%. Os dados de janeiro a maio deste ano mostram que agora o jogo está quase empatado. Os preços subiram 9,4% e a quantidade cresceu 8,3%.
No total, as exportações de janeiro a maio somam US$ 60,097 bilhões, um valor 20% maior do que o registrado nos primeiros cinco meses de 2006.
As vendas estão crescendo ao dobro da velocidade prevista pelo governo quando fixou a meta de exportações em US$ 152 bilhões em 2007. “Há certamente uma mudança estrutural da economia brasileira no tocante às exportações”, afirmou Meziat.
Ele acredita que o setor produtivo está se tornando mais moderno, mais produtivo, capaz de vender mercadorias mais elaboradas e caras. Por isso, acredita ele, as vendas ao exterior continuarão em alta. “Se fizermos a lição de casa, melhorando a infra-estrutura, o transporte, os portos, não vejo limites para o crescimento das exportações brasileiras”.
O entusiasmo do secretário, porém, não é compartilhado por especialistas. “A estatística é o cemitério da informação”, disse o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, citando o próprio pai.
Para ele, os números vistosos da balança comercial mascaram o fato de que o comércio exterior brasileiro está cada vez mais ancorado em produtos básicos, enquanto os industrializados perdem espaço. “O perigo é a desindustrialização, que significa desemprego, menor valor agregado, menos tecnologia e uma precarização do comércio exterior brasileiro”.
O alerta é confirmado pela análise dos números feita pelo vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. O tão comemorado crescimento no volume das vendas ao exterior é explicado por um maior vigor no embarque de produtos básicos como minério de ferro, petróleo e soja, cuja demanda está em alta porque o mundo está em crescimento. “Precisamos ver o que acontecerá se a economia chinesa tiver um resfriado mais forte”, disse. "Para nossa sorte, parece que isso não acontecerá tão cedo”.
A força exibida até agora pela balança é “anabolizada”, concordou o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira. “É uma saúde totalmente dependente da economia mundial”. A venda de manufaturados, que daria mais sustentação ao desempenho da balança comercial, está em desaceleração, disse o diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), Roberto Iglesias. “São produtos que sentem mais o efeito do câmbio”.
Ele acredita que o desempenho das manufaturas continuará em queda ao longo deste ano. Giannetti da Fonseca lembra que as exportações de manufaturados já chegaram a representar 60% das exportações do País. Agora, a taxa está em 53,5%, considerando o período de janeiro a maio de 2007.