Biocombustível no NE ganha incentivo
A Petrobras assinou quinta-feira, em Tóquio, memorando de entendimentos com a empresa japonesa Itochu Corporation para avaliar o potencial de produção de bioetanol, biodiesel e bioeletricidade nos Estados de Pernambuco e da Bahia.
A região em estudo é o Canal do Sertão Pernambucano, com 150 mil hectares, localizada na área de atuação da Companhia de Desenvolvimento dos Vale do São Francisco e Parnaíba, que abrange 16 municípios em Pernambuco, entre os quais Petrolina, Ouricuri, Trindade e Araripina, além do município de Casa Nova, na Bahia.
De acordo com a Petrobras, os estudos previstos incluem o cultivo da cana-de-açúcar, pinhãomanso e dendê na região do semiaacute;rido, tendo a irrigação como principal fonte de fornecimento de água e garantia de produção das matérias primas para os biocombustíveis durante o ano inteiro, sem os impactos da sazonalidade climática.
A empresa informou ainda que será avaliada, também, “a melhor logística de escoamento da produção futura para atender, de forma segura e competitiva, o mercado japonês e os demais mercados potenciais internacionais”.
Em entrevistas recentes, a direção da Petrobras já admitiu a possibilidade de construção de dutos na região Nordeste para escoar uma eventual produção de biocombustíveis.
PETRÓLEO – Ontem, a Petrobras informou que descobriu petróleo leve na bacia de Campos, no mar do Espírito Santo, uma região ainda pouco explorada pela estatal, em áreas abaixo da camada de sal.
A empresa acrescentou em seu comunicado que testes indicaram um potencial de produção de 1.250 barris diários.
Segundo a Petrobras, a qualidade do óleo encontrado, em termos de API, é de cerca de 29 graus.
Pelo padrão internacional, quanto mais perto de 50 graus API maior é a qualidade do óleo. A maior parte do petróleo produzido no Brasil é pesado, variando entre 18 e 22 graus API.
Mais de um ano após o badalado anúncio da auto-suficiência na produção de petróleo, o Brasil ainda vem encontrando problemas para fechar as contas externas do setor. Nos primeiros cinco meses de 2007, o País acumulou um déficit superior a US$ 1 bilhão na balança comercial de petróleo e derivados.
A consultoria Tendências estima que as perdas cheguem a US$ 3,8 bilhões até o final do ano. Se confirmado, o déficit anual será 5% inferior ao registrado em 2006, diz a analista Fabiana D’Atri.
Apesar da queda, a manutenção de um déficit evidencia que a Petrobras vem tendo dificuldades para ampliar a produção nacional a ponto de manter a “auto-suficiência sustentável" comemorada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do início da campanha eleitoral do ano passado.
Segundo a Tendências, o Brasil exportou US$ 5,547 bilhões em petróleo e derivados entre janeiro e maio de 2007, valor US$ 1,088 bilhão inferior ao gasto com importações no mesmo período. “A dificuldade em reverter o déficit devese à diferença de preços entre os produtos importados, mais caros, e os exportados, que têm menor valor de venda”, aponta Fabiana, destacando que a Petrobras falava em auto-suficiência volumétrica quando comemorou a conquista, em abril de 2006.
Mesmo assim, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil ainda importa mais barris de petróleo e derivados do que exporta.