Fundo de private equity ainda investe pouco na AL

12/06/2007

Fundo de private equity ainda investe pouco na AL

O mais perto que os investidores do mercado de ações chegaram do paraíso nos últimos anos foi a América Latina. A compra de ações da região pelos fundos mútuos vem crescendo a uma média de 38% ao ano desde 2004, um retorno que deixa longe o desempenho de todas as outras categorias de fundos. Mesmo assim, enquanto os índices de ações latino-americanos continuam em disparada, as firmas de private equity que poderiam estar avançando sobre esses ativos têm permanecido em grande parte fora do mercado. 


Segundo a Emerging Markets Private Equity Association (EMPEA), com sede em Washington, os novos investimentos de private equity na América Latina totalizaram apenas US$ 2,7 bilhões no ano passado - um número um pouco superior ao da África sub-sahariana, e menos de um sétimo do volume destinado à Ásia. 


As firmas de private equity podem ter uma visão de longo prazo, mas elas precisam ser sensíveis à liquidez dos mercados que escolhem, no caso de uma crise. Os investidores em private equity em regiões estáveis vão querer encontrar compradores para a maior parte de seus ativos em qualquer ponto de um ciclo econômico. Por outro lado, aqueles que investem em países imprevisíveis, com bolsas de valores não muito desenvolvidas, podem se ver incapazes de vender suas posições na ocorrência de um desastre. 


Muitas economias latino-americanas - mas não todas - tendem a estar nessa segunda classe e, como resultado, a experiência na região das firmas especializadas em aquisições tem sido desastrosa. Quando praticamente todos os governos latino-americanos embarcaram em reformas orientadas para o mercado, no começo dos anos 1990, grandes entradas de private equity logo foram registradas. 


Muitos desses investimentos estavam amadurecendo bem no momento em que o clima econômico da região piorou, graças às desvalorizações cambiais e a recessões. Os investidores no mercado de ações conseguiram pelo menos diminuir suas perdas, mas muitos fundos de buy-out caíram numa armadilha e afundaram com suas posições. Isso deixou lembranças amargas que ainda assustam os fundos de private equity. 


Hoje, apesar do progresso da região, ela continua bem menos atraente para as firmas de private equity do que as economias maiores, mais consistentes e mais sofisticadas da Ásia - embora a situação seja muito pior nos países menores do que Brasil e México. Pouquíssimas economias latino-americanas já tiveram um período consecutivo de crescimento suficiente para afastar os temores dos investidores em private equity de serem pegos na próxima crise. 


O tamanho insignificante de seus mercados de ações em relação ao PIB fornece pouca segurança de que será fácil vender as empresas de volta ao público. Além de risco de liquidez elevado, os governos da América Latina são vistos como mais intervencionistas que os da Ásia, e as economias, menos transparentes - eles sempre foram caracterizados por alta incidência de informalidade, que expõe os controladores de empresas a riscos legais e torna a avaliação de uma empresa muito mais difícil. 


Além disso, os mercados de crédito da região ainda estão em sua infância, tornando difícil para as firmas de private equity obter financiamentos alavancados que são grande componente de suas estratégias em todos os lugares. Fundos de hedge, fundos mútuos e investidores em imóveis são muito menos afetados por esses riscos. 


O envolvimento do private equity na América Latina certamente não tem para onde ir a não ser para cima, e há sinais de que ele poderá se expandir rapidamente. Em 2006, firmas especializadas em aquisições investiram duas vezes mais na região do que em 2005. 


Mas para se beneficiar ainda mais, a América Latina precisa de três coisas: mais integração regional, que permita às empresas crescerem além das fronteiras de seus países; grande crescimento de seus mercados de capitais, que ajudaria o private equity a entrar e sair de posições; e um registro extenso de crescimento econômico vigoroso. As próprias firmas de private equity poderiam participar, ajudando a América Latina a conseguir isso. Por enquanto, ao que parece, elas preferem esperar para ver como é que fica.