Produção industrial baiana cai 6,7%

12/06/2007

Produção industrial baiana cai 6,7%

A produção da indústria baiana no mês de abril registrou uma queda de 6,7% em relação a igual mês do ano passado. Os setores químico, petroquímico e de papel e celulose foram os que tiveram a maior redução e impulsionaram o resultado que é o maior do País em termos percentuais. Além da Bahia, apenas os Estados do Ceará (-0,6%) e Goiás (-3,1%) tiveram resultados negativos em abril. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados ontem pela Superintendência de Estudos Socioeconômicos (SEI) que sistematizou o levantamento.


Para a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), a queda na indústria da transformação foi ainda maior. “A redução foi de 7,1% se compararmos o mesmo período do ano passado“, afirma o economista da Fieb, Marcus Verhine. Segundo o levantamento do IBGE, a maior retração foi registrada na indústria de transformação. O refino de petróleo e a produção de álcool tiveram uma queda de 16,4%. A indústria de papel e celulose cravou uma redução de 15,5%, enquanto a fabricação de produtos químicos, como a uréia e o amoníaco, registrou uma retração de 5% em abril passado.


O secretário da Indústria, Comércio e Mineração, Rafael Amoedo, atribuiu a queda ao fato do mês ter sido curto em função da Semana Santa. Segundo ele, é difícil mensurar o resultado em apenas um mês. “Essa estatística não é suficiente para se aquilatar uma queda que não tem uma constância”, disse o secretário. O levantamento revela ainda que, no primeiro quadrimestre do ano (janeiro a abril) a produção industrial teve uma redução de 0,2%. O acumulado nos últimos 12 meses, no entanto, cresceu 1%, mas mantém desaceleração no ritmo de crescimento desde dezembro de 2006 (3,2%).

CONCENTRAÇÃO – Segundo a pesquisa, o ritmo de queda começou em dezembro de 2006, quando foram registradas reduções da produção de veículos automotores (-7%), refino de petróleo e produção de álcool álcool (-0,5%) e de produtos químicos (-0,4%). O coordenador de Acompanhamento Conjuntural da SEI, Luís Mário Vieira, diz que a indústria baiana está muito concentrada nestes setores, e, segundo ele, quando há uma redução ou queda da produção, o reflexo é imediato.


“Mesmo quando há crescimento de outros setores, como no caso de alimentação e bebidas (13,1%) e de borrachas e plásticos (13,5%), não são suficientes para elevar o resultado“, explica. Na opinião do coordenador, a queda foi considerável, mas ressalta que outros setores como o calçadista não integram a pesquisa. “Isso gera distorção nas pesquisas“, afirmou. O economista Marcus Verhine discorda e diz que o desempenho da indústria de calçados não tem um grande impacto na indústria baiana e não afeta este resultado.


“O setor ainda é inexpressivo. Em 2005, teve um desempenho de apenas 1,7% na indústria de transformação“, afirma. O representante da Fieb acredita que a parada de duas caldeiras numa indústria de papel e celulose pode ter sido a responsável pelo mau desempenho do setor. Isto, porém, não pôde ser confirmada pelo presidente do Sindicato da Indústria de Papel e Celulose da Bahia (Sindpacel), Elio Régis, que passou a tarefa para sua assessoria de imprensa, que não o fez até às 21h30 de ontem.


A queda da produção industrial não afetou as exportações baianas. Segundo o Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia , as vendas para o exterior cresceram 14,2% em abril. A Petrobras e o Sindicato da Indústria Petroquímica não retornaram às ligações da reportagem.

RONALDO JACOBINA