Lavradores debatem o Terra de Valor Projeto atenderá 90 mil habitantes de 34 municípios das regiões nordeste e sudoeste com os mais baixos IDH Os trabalhadores rurais dos municípios de Boa Nova, Poções e Planalto, no sudoeste baiano, se reuniram para conhecer e debater o Projeto de Desenvolvimento de Comunidades Rurais das Áreas mais Carentes do Estado da Bahia – Terra de Valor. Com uma proposta que prioriza a participação direta dos homens e mulheres do campo na decisão e escolha das ações a serem implementadas em suas comunidades, o Terra de Valor atenderá 90 mil habitantes dos 34 municípios das regiões nordeste e sudoeste com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo o secretário do Desenvolvimento e Integração Regional, Edmon Lucas, o objetivo do projeto é promover o desenvolvimento dessas comunidades rurais através de projetos que direcionem a vocação natural de cada localidade. Para isso, disse, o Terra de Valor atuará em linhas de ação diversificadas, favorecendo o desenvolvimento de capital humano e social e garantindo o desenvolvimento produtivo e de mercado. "Esse projeto inclui atividades, como a formação e qualificação profissional dos agricultores familiares, capacitação, o fortalecimento de suas organizações, apoio a atividades culturais, infra-estrutura social e promoção da eqüidade de gênero", informou. Apoio - Edmon Lucas também ressaltou que, no âmbito da produção e do mercado, o Terra de Valor dará apoio a microempresas e aos pequenos produtores rurais, com fomento da comercialização dos produtos regionais. "Esse apoio se dará com um trabalho integrado de várias secretarias estaduais. O apoio do projeto se estenderá ainda a jovens empreendedores e dará ênfase à conservação ambiental e a infra-estrutura produtiva." O diretor executivo da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Paulo Cezar Lisboa, assinalou que todas as organizações e produtores rurais devem estar diretamente envolvidos no projeto. "Queremos juntar o conhecimento do agricultor com o conhecimento dos técnicos do projeto. Não queremos construir casa de farinha apenas para compor a paisagem e, sim, para fazer com que os equipamentos produzam, de fato, a farinha e possam colocar comida na mesa do pequeno agricultor." Executado pela Secretaria do Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), através da CAR, empresa vinculada à secretaria, o Terra de Valor contará com US$ 60 milhões divididos igualmente entre o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e a contrapartida do Governo do Estado. Está também assegurada uma doação do Fida ao estado da Bahia no valor de US$ 500 mil para o desenvolvimento de dois projetos-piloto de biodiesel a partir da mamona produzida pelos pequenos produtores rurais assistidos pelo Terra de Valor. Produto de primeira - Para o presidente da Associação Fazenda Cachoeira, Vicente José Dias, o projeto vai ser muito bom para o produtor. "Hoje, o café que a gente produz não tem qualidade. Não temos despolpador nem secador. Com o projeto, vamos trabalhar em nossas dificuldades e poderemos melhorar a produção e até exportar", opinou, empolgado.A coordenadora das associações do município de Poções, Daiana de Sá, disse que as associações locais já contam com o Produzir, programa de combate à pobreza rural, também executado pela Sedir, através da CAR. "Temos expectativa de que o Terra de Valor chegue a áreas ainda não contempladas por nenhum projeto e, pelo que foi exposto aqui, acredito que as ações vão estar realmente voltadas para as populações mais carentes e de forma mais democrática". A representante da Associação dos Produtores de Roçado Grande, Silvia Ramos, falou que este é um bom projeto e que espera que a caprinocultura local possa ser desenvolvida com melhorias também para a área de saúde." Inteligência - O presidente do Assentamento União, Carlito Ribeiro, espera que as condições de vida do agricultor sejam melhoradas. "Com a capacitação, poderemos trabalhar com mais inteligência a terra e fazer render o nosso dinheiro, agregando valor ao que produzimos", explicou. O representante do Movimento sem Terra, José Santana, ressaltou que o Terra de Valor tem todas as ações necessárias para fazer o trabalhador crescer com luta e dignidade. "A presença dos técnicos agrícolas do projeto vai ajudar na construção de um solo mais produtivo para os produtores." |