Ministro toma café da manhã com bispo na capital da fé

15/06/2007

Ministro toma café da manhã com bispo na capital da fé

Depois das críticas à postura da Igreja frente à transposição do Rio São Francisco, o segundo dia do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, em Bom Jesus da Lapa, oeste do Estado, a 802 km de Salvador, foi mais tranqüilo, com direito a café da manhã com o bispo da Diocese local, dom Francisco Batistela. Foi a oportunidade encontrada na chamada “capital da fé baiana” para apresentar ao religioso o projeto de transposição, porém o bispo manteve a posição da Igreja e evitou polemizar com o ministro.

A romaria ao santuário de Bom Jesus da Lapa, em agosto, atrai cerca de 700 mil romeiros por ano. “É necessário que a Igreja e a sociedade façam críticas ao projeto para que apareça melhor a verdade”, destacou dom Francisco. O bispo assinalou que as críticas são positivas para que se encontre a melhor direção ao projeto de transposição. “Críticas construtivas, apesar de não entender o alcance do que vai acontecer”, prosseguiu, afirmando que reconhece a falta de conhecimento técnico aprofundado sobre o tema.

“Acredito que os técnicos conheçam o que está sendo feito e o debate tem que ser realizado.

A visita do ministro nesse debate é positiva, mas a divulgação sobre a parte técnica do projeto tem que ser maior”, finalizou. O encontro aconteceu num hotel afastado do centro da cidade na manhã de quinta-feira, 14.

Perguntado sobre que avaliação fazia do encontro, o ministro economizou palavras, mas não modéstia. “Você está vendo aqui.

Fui tratado como um príncipe”, sorriu. “Eu não vim aqui convencer segmentos da Igreja Católica a mudar de posição”.

Geddel disse que, à medida que as pessoas tomam conhecimento do projeto “vão compreendendo que é viável e tomam conhecimento do muito que estamos fazendo em toda a extensão do rio, em relação à revitalização do São Francisco”.

Interpelado sobre denúncias de ambientalistas de que decisões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) são políticas, a exemplo de licenças ambientais que teriam sido concedidas não pro amparo técnico, mas político, o ministro reagiu em defesa do órgão. “Quando o Ibama resiste e faz uma série de exigências para conceder as licenças da hidrelétrica no Rio Madeira é elogiado pelos ambientalistas que vêem no órgão um guardião.

Quando dá todas as licenças do Rio São Francisco, é criticado pelos ambientalistas, que vêem nisso pouca seriedade na concessão”. Sem perder o fôlego, Geddel diz que o Ibama merece aplausos tanto em um caso quanto no outro.

Exército chega e se aproxima da comunidade

No chamado Eixo Leste da transposição do Rio São Francisco, a 42 quilômetros da cidade de Floresta e a 130 de Cabrobó, onde será implantado o canal do Eixo Norte, tropas do 3º Batalhão de Engenharia de Construção, sediado em Picos (PI), chegaram no início da semana e já montaram o acampamento e canteiro de obras. São 52 homens, máquinas e equipamentos que ocupam uma gleba de trabalhadores rurais assentados pelo Incra quando do enchimento do lago da Barragem de Itaparica.

Os militares tiveram como primeira tarefa, estreitar o relacionamento com a comunidade de assentados.

Antes mesmo da montagem completa do acampamento, eles realizaram atendimento médico e social à população local, com serviços de odontologia, barbearia e distribuição de medicamentos.

O tenente-coronel Vanilson Gurgel providenciou também a construção de um campo de futebol e recuperação de algumas casas.

“Foi uma maneira que encontramos para mostrar que a presença do Exército é amigável e só contribui para o desenvolvimento da região”, disse o militar.

Mas a grande preocupação da população local é com o emprego. “Vai ser difícil competir com o pessoal que vem de fora, mais preparado e com mais currículo”, disse o motorista, Gilmar Avelar da Silva, 26 anos, que diariamente dá plantão na porta do acampamento do Exército, esperando a chance de um contrato de trabalho.

Conforme explicou o tenente-coronel, Vanilson Gurgel, comandante do destacamento militar, até o final deste mês o efetivo deverá aumentar para 130 homens, que vão trabalhar na abertura de um canal de dimensões que variam de 40 metros e 120 metros de largura, por até 36 metros de altura, que vai levar a água do rio São Francisco, por 202 quilômetros, ao interior dos estados de Pernambuco e da Paraíba. (A. F.)

JUSCELINO SOUZA