Adab protege palma forrageira de praga
Está proibida a entrada, trânsito e comércio, na Bahia, de plantas oriundas de estados com incidência de cochonilha do carmim
Com o objetivo de evitar a entrada e o estabelecimento da praga cochonilha do carmim (Dactylopius opuntiae Cokerell) nas lavouras de palma forrageira no território baiano, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), acaba de publicar portaria proibindo a entrada, trânsito e comércio, no estado, de plantas e partes de plantas de palma e de outras cactáceas provenientes de estados com notificação oficial de estabelecimento da doença.
A medida insere-se nas ações do Projeto de Prevenção à Cochonilha do Carmim, que visa manter o status da Bahia de zona indene à ocorrência da praga, que já se encontra instalada em Pernambuco, Paraíba e outros estados nordestinos.
Segundo o regulamento de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura, o trânsito de vegetais e partes vegetais só será permitido quando os mesmos estiverem acompanhados do Certificado Fitossanitário de Origem (CFO), atestando de que vêm de áreas livres, e Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), emitido pelos agrônomos da Adab, embasados no CFO.
A fiscalização será intensificada com barreiras fixas e móveis para bloquear possíveis vetores que possam introduzir a praga na Bahia. Em caso de burla à inspeção e fiscalização, o material procedente de outros estados ou de países com ocorrência da praga será apreendido e destruído.
Cultivada em áreas com acentuado nível de pobreza, a palma forrageira tem grande importância socioeconômica para a região semi-árida, onde serve de alimentação dos rebanhos, sobretudo em pequenas propriedades na agricultura familiar. Além de servir como alimentação animal, a palma também é utilizada na alimentação humana, com grande valor nutricional, pois é rica em vitamina A, ferro e cálcio, inclusive com propriedades medicinais que vêm sendo pesquisadas.
Hoje, a cochonilha do carmim tem causado elevados danos às lavouras de palma forrageira, impossibilitando a pecuária bovina, caprina e ovina, com sérios prejuízos para o agronegócio, já tendo destruído mais de 100 mil hectares da cultura nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Altamente devastadora, a praga, que chega a provocar perdas de 100% da produção, é disseminada através do vento, animais, veículos, mudas e partes vivas (raquetes ou cladódios) da planta.
A Adab já estabeleceu um intercâmbio técnico e científico com o governo da Paraíba, para capacitação e treinamento de profissionais, com participação também da EBDA. Esta parceria será realizada em Monteiro (PB), onde os técnicos baianos observarão técnicas de manejo, com o objetivo de prevenir e controlar a praga.