Criação de Tilápias em tanques

18/06/2007

Criação de Tilápias em tanques

Sete grupos de pescadores e ex-pescadores nos municípios de Casa Nova e Sento Sé estão explorando a criação de tilápias em cativeiro, como forma de reforçar a renda familiar. O trabalho é nos moldes do que já fazem dezenas de famílias que vivem em Sobradinho, no norte do Estado.


Nos dois casos, esses pescadores ou ex-pescadores vivem nas margens do Rio São Francisco e se valem de uma iniciativa da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e da Bahia Pesca, de prática da criação de peixe em paralelo a plantações de melancia, melão e cebola.
A boa qualidade da água e a redução da população de peixes na área do Lago de Sobradinho tem favorecido o crescimento da instalação dos tanques-redes, informa Daniela Campeche, pesquisadora da Embrapa SemiAacute;rido. Na semana passada, ela coordenou um seminário sobre criação de tilápias em tanque-rede, em Sobradinho.


O objetivo do encontro, em parceria com a Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) e Codevasf, disse ela, foi incentivar a produção de peixes no lago, em razão de a oferta pesqueira ter diminuído nos últimos anos. Os 60 tanques-redes usados pelos piscicultores são como uma espécie de gaiola e ficam quase que totalmente submersos no leito do rio. Os tanques alojam peixes ainda na fase de alevinos e com peso médio inicial a partir de 2 gramas cada, onde ficam até atingir o tamanho adequado para serem comercializados.


Cada uma das 60 gaiolas (tanques) tem capacidade para produzir 750 kg de tilápia. Os peixes são vendidos com peso médio de 800 gramas e vão abastecer o mercado cearense. A atividade é considerada produtiva e está começando a fazer seu próprio mercado. Com valor atual em torno de R$ 3,50/kg, a tilapicultura se mostra rentável e capaz de gerar empregos na região e os tanques podem passar de 60 para 85.


Com o preço de mercado atualmente em torno de R$ 3,50/kg, a criação da tilápia se mostra rentável e capaz de gerar empregos na região e já se tem a intenção de ampliar para 85 tanques. “Além disso, a indústria de beneficiamento dessa espécie tem demandado maior oferta de tilápia, o que torna o mercado atraente para investimento dos piscicultores”, ressalta a pesquisadora Daniela Campeche. Os piscicultores e técnicos de órgãos como a Bahia Pesca e o Sebrae se reúnem para identificar demandas de pesquisa e desenvolvimento para apoiar a atividade nas condições do bubmédio São Francisco, região onde se encontra o Lago de Sobradinho.


Apesar de ainda necessitar de investimentos iniciais na casa dos R$ 1,5 mil e outros insumos, a tecnologia de tanques-redes é fácil de manejar, principalmente pela facilidade que a tilápia tem de se adaptar e produzir muito bem neste tipo de criação confinada. A idéia é que, em curto prazo, as instituições envolvidas elaborem projetos de pesquisa para também estudar a criação de peixes nativos do Rio São Francisco em gaiolas, além de projetos para melhorar a produtividade da tilápia nesse sistema de criação.


Isso, somado ao interesse em ter mais conhecimentos sobre experiências da implantação de um Arranjo Produtivo Local (APL) de piscicultura no Lago de Sobradinho, relações entre o manejo alimentar, nutrição adequada e impacto ambiental para peixes em tanque-rede, perspectiva da cadeia produtiva da tilapicultura no São Francisco numa visão industrial e boas práticas de manejo.
Das cerca de 60 famílias que são beneficiadas com o projeto, 15 fazem parte da Associação de Criadores de Peixes de Sobradinho e adotaram a atividade.


De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Peixes de Sobradinho, “até bem pouco tempo, a tilápia não era muito procurada; agora, a demanda é boa, para a quantidade existente”. Em apenas uma semana, os associados conseguiram duas toneladas de peixe em dois tanques. Cada família tem um ganho de aproximadamente um salário mínimo, que serve como mais uma alternativa da renda mensal.

CRISTINA LAURA