Nordeste terá redução de chuvas

19/06/2007

Nordeste terá redução de chuvas

 Previsão é um dos resultados da Reunião de Análise e Previsão Climática do setor do setor leste da região, realizada em Salvador

As chuvas que cairão sobre toda a região Nordeste do país nos próximos dois meses deverão ficar 10% abaixo da média histórica registrada nos últimos 30 anos. A probabilidade é de 75% das precipitações (chuvas) ficarem de normal a abaixo da média histórica, o que já vem acontecendo nos dois primeiros meses (abril e maio) do período chuvoso do leste do Nordeste deste ano.

Isso não quer dizer que não irá chover na Bahia, até porque os meses de julho e agosto são os mais chuvosos do ano. As precipitações deverão variar entre 300 e 386,8 milímetros nos próximos dois meses na faixa litorânea (Recôncavo, sul e nordeste), enquanto a média histórica deste período é de 429,8 mm. O mês de setembro já é de estiagem.

Estes foram alguns dos resultados da Reunião de Análise e Previsão Climática do setor leste (litoral) da Região Nordeste do Brasil, que aconteceu no auditório Paulo Jackson, da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), em Salvador, com a participação de meteorologistas, pesquisadores e técnicos de todo o país.

De acordo com o meteorologista da SRH, Heráclio Alves de Araújo, as chuvas serão fracas e de longa duração neste período nas regiões do Recôncavo e do nordeste do estado. Este tipo de chuva é propício para a agricultura. O principal responsável por este tipo de chuva na faixa leste neste período são as brisas que vêm do Oceano Atlântico.

Já as temperaturas tendem a ter um aumento de cerca de 1,5ºC acima da média histórica em todo o Nordeste. Enquanto a temperatura média registrada nas regiões mais frias do estado (sudoeste e Chapada Diamantina) neste período do ano é de 12ºC, com mínima de 4ºC, neste ano, a previsão é que a temperatura mínima nestas regiões chegue a 6ºC. No litoral, nos próximos dois meses, a temperatura média gira em torno de 29ºC, com mínima de 21ºC e máxima de 31ºC.

O meteorologista ressaltou, entretanto, que algumas localidades da faixa litorânea poderão receber uma quantidade de precipitação (chuvas) maior do que outras. Podem acontecer também veranicos (oito ou mais dias consecutivos sem chuvas) ou eventos extremos (chuvas intensas) localizadas, associadas à passagem de frentes frias, que são previstas com até 48 horas de antecedência. Por isso, os meteorologistas recomendam o acompanhamento de previsões diárias de tempo, análises e tendências climáticas semanais.

Média histórica

Nos últimos dez anos, houve uma redução média de 268 milímetros de chuva em Salvador em relação à média histórica, que é de 2.097 mm. Em 2007, de janeiro até maio, já choveu 634,4 mm, sendo abril e maio os meses mais chuvosos. Ou seja, houve uma redução de 410,6 mm de chuva neste ano em relação à média histórica. De 1996 a 2006, o ano menos chuvoso foi de 2001, com 1.394 mm e o mais chuvoso foi de 2005, com 2.313 mm.

Os meteorologistas analisaram as condições oceânicas, atmosféricas e de temperatura da superfície do mar, utilizando os modelos numéricos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e norte-americano (IRI) para subsidiar a previsão, em audioconferência com os técnicos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, em Cachoeira Paulista, e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Brasília. O próximo Fórum de Análise e Previsão Climática com os coordenadores dos Centros Estaduais de Meteorologia acontecerá no mês de agosto, em Belo Horizonte (MG).