Portos da Bahia batem recorde
Os portos administrados pela Companhia das Docas da Bahia (Codeba) fecharam o mês de maio com volume recorde na movimentação de cargas, com cerca de 948 mil toneladas captadas pelos terminais de Salvador, Aratu e Ilhéus, o que significa o melhor desempenho nos últimos 15 meses.
O resultado confirma o aquecimento nas operações portuárias, que fecharam o acumulado dos primeiros cinco meses do ano com o total de 4,186 milhões de toneladas, o que significa um acréscimo de 23,6% ante igual período do ano passado.
O desempenho é fruto da maturação de investimentos realizados nos últimos anos, embora ainda sejam necessários novos aportes para reforçar a competitividade dos terminais, avalia o diretorpresidente em exercício da Codeba, Newton Ferreira Dias. O Porto de Ilhéus liderou a expansão nos volumes de cargas movimentados nos primeiros cinco meses do ano. O escoamento da produção de soja, cultivada no oeste, garantiu ao terminal ilheense expansão de 73% no volume movimentado, seguido por Aratu, com expansão de 26%, e Salvador, 9,4% – considerada a mesma base de comparação.
Dias ainda avalia que a competitividade dos terminais administrados pela Codeba poderá ser reforçada nos próximos anos. Um projeto elaborado pelos técnicos da companhia está sendo analisado pelo Ministério dos Transportes e pela Secretaria dos Portos, para que obras de melhorias sejam empreendidas nas unidades portuárias do Estado.
O documento prevê dois novos berços para atracagem de conteineiros no Porto de Salvador, com profundidade de 15 metros, o que poderia atrair para o terminal navios de maior porte, com maior capacidade de carga. O projeto ainda não tem orçamento ou previsão previsão de início de execução, mas já há três empresas que participam de concorrência pública para a realização das obras.
FUGA DE CARGAS –Apesar da generosidade dos números apresentados pela Codeba, dados fornecidos pela Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport) acusam o incremento do processo conhecido como “fuga de cargas”, que estaria ocorrendo nos terminais administrados pela companhia. Apenas nos primeiros quatro meses do ano, pelo menos 17% do comércio exterior baiano foi realizado através de portos localizados fora do Estado, observa o presidente da Usuport, Paulo Villa.
“Os recordes são fruto do desempenho da economia baiana, que tem expandido a sua corrente de comércio, e não resultado de um reforço na competitividade dos terminais, embora percebamos alguma melhora neste aspecto”, observa Villa. A associação ainda detectou que cerca de 27% das cargas conteineirizadas foram movimentadas fora da costa litorânea do Estado.
De acordo com o Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), os principais portos que estariam acolhendo as cargas baianas são Santos (SP), São Francisco do Sul (SC), além dos nordestinos Suape (PE) e Pecém (CE). “Os gargalos têm a ver com a infraestrutura portuária, mas também com as rodovias e a falta de um acesso ferroviário, o que também pesa na decisão de movimentar as cargas em outros portos do País”, observa o gerente de informações do Promo, Arthur Souza Cruz.
Contudo, o executivo acrescenta que a percepção do mercado é que operar nos terminais hidroviários da Bahia é mais caro na comparação com os equipamentos de outros Estados. A Codeba aponta que, em 2006, houve investimentos de R$ 47 milhões nas estruturas dos três terminais administrados pela companhia. A perspectiva para 2007 é que sejam investidos cerca de R$ 99,5 milhões. Newton Dias, da Codeba, ainda observa que o Porto de Salvador deverá receber, até dezembro, um Portêiner, equipamento para a movimentação de cargas, tarefa até então realizada exclusivamente pela Tecon.
LUIZ SOUZA