Perdigão compra frigorífico de bovinos no MT

20/06/2007

Perdigão compra frigorífico de bovinos no MT

 

Após quatro meses de negociação, a Perdigão adquiriu por R$ 100 milhões um abatedouro de gado bovino na cidade de Mirassol D'Oeste (MT), dando continuidade à sua estratégia de crescer no segmento de carne bovina. O abatedouro, que era operado pela Unifrigo, pertencia à Valore Participações e Empreendimentos. 


Segundo o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, a oportunidade surgiu quando a empresa começou a prospectar a região para construir uma unidade de abate de boi. Apesar da aquisição, a Perdigão mantém o projeto de construir uma nova unidade de abate de bovinos e também vai erguer uma planta de produtos processados de bovinos, informou Secches. Segundo ele, "o mais provável" é que o abatedouro seja construído em Goiás, mas a localidade da fábrica de processados ainda está sendo definida. O aporte nas duas plantas está estimado em R$ 150 milhões. 


A unidade de Mirassol D'Oeste tem capacidade de abate de 500 bovinos por dia, mas está sendo ampliada para alcançar 2 mil animais. O valor pago pelo negócio já inclui a ampliação. "O prazo para a ampliação é de 180 dias, mas devemos começar a operar no fim de julho, início de agosto, abatendo menos de 2 mil animais", informou Secches. Com a aquisição, a Perdigão prevê, como planejou, alcançar a meta de abate de 6 mil animais/dia em 2011. Hoje, a Perdigão abate 600 bovinos por dia em Cachoeira Alta (GO), onde tem contrato de prestação de serviços com a Arantes Alimentos. 


O negócio bovinos da Perdigão movimenta R$ 150 milhões hoje, para um faturamento total de R$ 6,1 bilhões em 2006. Em 2008, quando Mirassol D'Oeste estiver operando a pleno vapor, a receita na área deve ser de R$ 750 milhões, estimou Secches. Para 2011, a previsão é de que a fatia alcance 12% do faturamento, projetado em R$ 11,8 bilhões. O abatedouro adquirido pela Perdigão está habilitado para vender aos países da chamada lista geral (como os do Oriente Médio) e para a Rússia, e será habilitada para vender à Europa. A Perdigão exporta 70% do que abate em bovinos, mas quer atingir 80%. 


Secches afirmou que a recente concentração no segmento de bovinos era esperada, e que não alterou a estratégia da empresa. "O que aconteceu de diferente foi a supervalorização dos ativos". Ele disse que R$ 100 milhões era o valor planejado para gastar com uma aquisição em bovinos, e admitiu que entrou na disputa pela goiana GoiasCarne. A empresa acabou sendo adquirida pelo Independência por US$ 75 milhões, conforme apurou o Valor. 


Apesar do projeto de construção do novo abatedouro - ainda este ano -, Secches não descartou outra aquisição se a empresa encontrar um ativo nas mesmas condições que o de Mirassol D'Oeste. Mas afirmou que não há interesse em ativos de carne bovina no exterior. "Não queremos ter volume grande de bovinos". O executivo afirmou, ainda, que não sabe se o contrato com a Arantes, em Cachoeira Alta, que vence em novembro, será renovado. Com a fábrica de processado de bovinos, a intenção da Perdigão é agregar valor. Hoje a companhia já produz processados em Carambeí (PR). 


A Perdigão gastou R$ 320 milhões dos R$ 800 milhões captados no mercado em novembro para investimento em novos negócios. Além de Mirassol, foram R$ 110 milhões na Batávia, R$ 100 milhões na Plusfood, R$ 8 milhões na Sino dos Alpes e R$ 2 milhões na Frutier.