Parmalat eleva seus investimentos para consolidar retomada
Pouco mais de um ano depois de ter sido adquirida pelo fundo de investimentos Latin America Equity Partners (Laep), e no momento em que alcança novamente a liderança no mercado nacional de leite longa vida, a Parmalat traça um plano ambicioso para os próximos quatro anos, que prevê a construção ou aquisição de plantas ou atualização tecnológica de unidades e reforço no programa de fomento à produção de leite.
Com a estratégia, a empresa - que não tem mais ligação com a Parmalat italiana - busca sustentar a continuidade do crescimento, que depende do avanço da capacidade de beneficiamento e da captação de leite no país.
"Queremos aumentar o número de fábricas onde há marcas regionais [de longa vida]. Naturalmente, vamos buscar fábricas em São Paulo e Minas Gerais", afirma Othniel Rodrigues Lopes, vice-presidente da Parmalat. As duas regiões são importantes por serem, respectivamente, o principal mercado consumidor e a principal bacia leiteira do país.
A captação de leite da Parmalat já começa a se recuperar - estava em 51 milhões de litros mensais em 2006 e atualmente chega a 60 milhões de litros, segundo Lopes. A meta é atingir 70 milhões de litros ainda este ano.
Foi em parte graças ao aumento da captação que a companhia conseguiu voltar à liderança em longa vida, perdida para a gaúchaElegê depois da crise da Parmalat italiana, em 2004, que arrastou a então subsidiária brasileira e teve como consequência a recuperação judicial, da qual sai no fim do ano.
Conforme dados da AC Nielsen, no bimestre abril/maio a participação da Parmalat no mercado de leite longa vida em valor foi de 12,1% seguida por 9,9% da Elegê. No bimestre anterior, a Elegê ainda estava à frente, com 10,5%, enquanto a Parmalat tinha 10,1%. Em volume de mercado, a fatia da Parmalat saltou de 8,9%, em fevereiro/março, para 11% no bimestre passado. No mesmo período, a da Elegê recuou de 10,5% para 9,5%.
"A Elegê cresceu no vácuo da Parmalat, mas não teve tempo de de se apossar do mercado", avalia Lopes. Segundo ele, o aumento dos números de pontos de venda também permitiu o avanço em longa vida. Há um ano, a empresa tinha 6.500 clientes diretos e hoje são 10 mil, contudo, ainda bem atrás dos 16 mil do período anterior à crise. Lopes atribui ainda a recuperação à marca forte e à plataforma de produção da empresa, que tem cinco laticínios no país. A "confiança" por parte dos fornecedores e clientes também foi fundamental para a recuperação do espaço no mercado, diz.
Nesse novo cenário de aumento dos volumes e dos preços do leite, a empresa espera faturar R$ 1,006 bilhão em lácteos em 2007 ante R$ 751 milhões em 2006. A receita total, que inclui sucos e biscoitos, deve alcançar R$ 1,255 bilhão contra R$ 971 milhões no ano passado.
No momento em que retoma a fatia no longa vida, a Parmalat investe para ampliar sua linha de leites especiais, com o lançamento de produtos funcionais a partir do segundo semestre.
Este ano, a empresa investe R$ 30 milhões em suas fábricas de Garanhuns (PE), Santa Helena de Goiás (GO) e Carazinho (RS), em ampliação de capacidade, equipamentos e tecnologia para as linhas de funcionais. Os investimentos incluem a unidade de Itaperuna (RJ), que esteve sob intervenção do governo fluminense após a crise da Parmalat, e passará a produzir também leite longa vida, além de leite em pó e leite condensado.
De acordo com Othniel Rodrigues Lopes, a empresa está produzindo leites funcionais da chamada segunda geração, com ingredientes que atuam no fortalecimento dos ossos, para melhorar a pele e auxiliar a digestão. A linha de leites especiais responde por cerca de 15% do faturamento do companhia.
Até 2010, a Parmalat planeja investir mais R$ 80 milhões em projetos de fábricas de leite longa vida e em pó em Feira de Santana (BA), Carajás (PA) e Iguatu (CE). É exatamente nessas regiões - de pequenos criadores - que a empresa começa a implementar seu programa de fomento à produção de leite, cujo foco é obter maior produtividade e qualidade. O programa, em parceria com Embrapa e Esalq/USP, prevê a substituição de vacas leiteiras com baixo rendimento por animais de melhor genética. E também busca a fidelização do fornecedor de leite.
Itaperuna também está nos planos da Parmalat para a construção de uma fábrica nova a partir do segundo semestre de 2008, um investimento de cerca de R$ 15 milhões. "Estamos discutindo com a prefeitura", disse o vice-presidente. Mas a empresa também pode decidir por investir na atualização tecnológica da unidade já existente em Itaperuna. Um eventual investimento em São Paulo ou Minas, porém, poderia ocorrer ainda no segundo semestre deste ano.
O controle acionário da Parmalat foi transferido para o Laep em maio de 2006, mas a empresa manteve contrato com a Parmalat italiana para utilização da marca e tecnologia no Brasil.
ALDA DO AMARAL ROCHA