Banco Fibra recebe US$ 50 milhões da IFC
O Banco Fibra acaba de receber uma injeção de US$ 50 milhões da International Finance Corporation (IFC), braço para operações com o setor privado do Banco Mundial (Bird). Do total, US$ 20 milhões foram investidos na forma de capital, tornando a IFC dona de 8% do Fibra, banco de médio porte fundado em 1988 e controlado pela família Steinbruch, que também atua nos setores têxtil, siderúrgico e imobiliário. Os US$ 30 milhões restantes referem-se a um empréstimo por sete anos.
A operação aumenta o patrimônio do Fibra de R$ 480 milhões para cerca de R$ 520 milhões, elevando o índice de Basiléia, que indica a capacidade de alavancagem dos bancos, de 13% para cerca de 16%. O mínimo exigido pelo Banco Central (BC) é de 11%.
Alguns bancos menores do que o Fibra, que fechou o primeiro trimestre com R$ 4,05 bilhões em ativos totais, levantaram em recentes vendas de ações o equivalente ao capital total da instituição após o aporte da IFC. Mas, o Fibra, disse o diretor superintendente João Ayres Rabêllo Filho, preferiu trilhar um caminho que considera mais consistente a longo prazo, reforçando os músculos antes de vir a mercado. No ano passado, já havia engordado o caixa com uma emissão de dívida subordinada de 10 anos no valor de US$ 30 milhões; e, neste ano, obteve mais R$ 76 milhões em dívida subordinada interna, com a emissão de um certificado de depósito bancário (CDB) de cinco anos.
A intenção é manter boa rentabilidade, que foi de 16% em 2006, o que fica difícil quando há uma capitalização substancial. A parceria com a IFC, portanto, não impede o Fibra de abrir o capital e vender ações no mercado em um prazo que Rabêllo Filho calcula em doze meses, quando estiver "mais encorpado". O executivo acredita que a atual boa receptividade do mercado de capitais para as ações de bancos médios não é uma apenas "uma janela" e sim uma tendência permanente, que será mais generosa ainda quando o Brasil se tornar "investment grade", isto é, for considerado seguro para investidores institucionais, atraindo volume ainda maior de aplicações estrangeiras.
Foi o primeiro investimento em ações de um banco brasileiro da IFC, que tem o país como um dos seus principais clientes. O diretor para a América Latina e Caribe da IFC, Atul Mehta, que participou ontem do anúncio da associação, não descartou a possibilidade de acordos semelhantes com outros bancos brasileiros de médio porte. "Vamos procurar mais operações como essa." Há alguns anos a IFC elegeu os bancos médios como um dos alvos de investimento e canal de apoio às empresas pequenas e médias. O primeiro passo foi a concessão de linhas de financiamento de longo prazo. O Fibra obteve R$ 50 milhões por sete anos, em 2006. Outros bancos médios foram beneficiados, como o BBM.
Mehta afirmou que o compromisso do Fibra com a governança corporativa, sua estratégia de atuação junto a pequenas e médias empresas e pessoas físicas e o projeto de entrar no crédito imobiliário no segundo semestre influenciaram na decisão de fazer o investimento. Foi uma negociação rápida, que começou em fevereiro. O diretor da IFC informou que os investimentos em ações da IFC duram normalmente cinco anos no mínimo e vão até 10 anos.
A IFC terá assento no conselho do Fibra e uma das áreas na qual pretende colaborar é no crédito imobiliário. O Fibra já opera em crédito para empresas, com financiamento ao comércio exterior a capital de giro e repasses do BNDES, carteira que encerrou 2006 com R$ 2,6 bilhões. As operações de financiamento de varejo, retomadas em 2005, incluem crédito pessoal, consignado para aposentados e funcionários da ativa e crédito direto ao consumidor, que somavam R$ 320 milhões ao final do ano passado.
MARIA CHRISTINA CARVALHO