Produção de celulose crescerá mais de 80%
O crescimento projetado de 7,4% ao ano na demanda por celulose de eucalipto no mundo justifica a empolgação das empresas do setor, instaladas na Bahia. As três indústrias — Suzano Papel e Celulose, Veracel Celulose e Bahia Pulp Celulose — estão com projetos de expansão em andamento.
A unidade da Suzano, no município de Mucuri, prevê para outubro a conclusão da ampliação da produção anual que saltará de 500 mil toneladas atuais para 1,5 milhão de toneladas de celulose até o final de 2008. A Veracel, em Eunápolis, acrescentará, ainda em 2007, 70 mil toneladas à linha de produção, enquanto a Bahia Pulp, em Camaçari, está expandindo em 250 mil toneladas a produção atual de 115 mil toneladas.
Juntas, a produção baiana das três gigantes já responde por 20% do volume nacional, devendo chegar a 30% após as expansões em andamento, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Papel, Celulose e Pasta de Madeira para Papel e Artefatos, Papel e Papelão no Estado da Bahia (Sindpacel), Élio Regis.
A produção no Estado está próxima de 1,6 milhão de toneladas de celulose de mercado e 250 mil toneladas de papel. No segmento de papel, a representatividade da Bahia ainda é pequena. Somente a Suzano produz as 250 mil toneladas baianas dos 8,6 milhões de toneladas fabricadas no País.
FATURAMENTO — O setor de celulose, entretanto, já desfila entre as 10 maiores indústrias da Bahia, com faturamento estimado em R$ 1,45 bilhão, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Suzano Papel e Celulose está ampliando a fábrica baiana como parte da estratégia de assegurar o título de maior indústria de papel e celulose de eucalipto do mundo.
A ampliação é resultado de investimentos da ordem de R$ 2,6 bilhões (US$ 1,3 bilhão), de acordo com o diretor de negócios da empresa, Rogério Ziviani. Quase metade da produção, 45%, será exportada para Ásia, enquanto 40% será destinada ao mercado europeu. Os 15% restantes serão direcionados para a América do Norte.
A produção anual de 975 mil toneladas por ano torna a Veracel uma concorrente muito próxima, ocupando a segunda posição no ranking nacional de celulose do País. Em termos de receita, porém, a distância é grande. A Veracel faturou R$ 777 milhões no ano passado, enquanto a Suzano, R$ 3,1 bilhões.
Além de atuar no mercado há mais tempo (desde 2001), a Suzano também produz, anualmente, 250 mil toneladas de papel, enquanto a Veracel entrou em operação em maio de 2005.
Diferentemente das duas potências que atuam no segmento de celulose voltada para a produção de papel, a Bahia Pulp explora o segmento de celulose solúvel voltado, hoje, para atender a área têxtil.
Com a expansão da produção, com previsão de conclusão para o quarto trimestre deste ano, a empresa pretende atender também os segmentos alimentícios (cujo produto final será usado para capas de salsichas, por exemplo), fármacos (cápsulas de remédios), fios utilizados em pneus, entre outros.
Cerca de 75% da produção atual da Bahia Pulp é voltada para exportação.
“Com a expansão, o mercado externo absorverá 90% da produção“, afirma o diretor de vendas e marketing, Sérgio Kilpp. O executivo garante que a fábrica se tornará a mais moderna do mundo. Os investimentos previstos são da ordem de US$ 450 milhões.
NO PAÍS — A entrada em operação dos projetos de expansão já anunciados por empresas nacionais, entre elas as três que atuam na Bahia, motivou o setor a apostar em incremento de 5,5% na produção nacional de celulose para este ano.
As exportações também tendem a ser favorecidas, com aumento de 8,6% ante os resultados do ano passado, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).
A produção brasileira de celulose alcançou 11,1 milhões de toneladas no ano passado e a de papel, 8,8 milhões de toneladas. O crescimento ante 2005 foi de 7,6% e 1,7%, respectivamente. Este desempenho favoreceu o País no ranking internacional, elevando o Brasil da sétima para a sexta posição, ultrapassando o Japão como produtor mundial.
O ano passado também foi favorável às exportações. O setor de celulose e papel vendeu para o mercado externo US$ 4 bilhões, contra US$ 3,4 bilhões em 2005, resultando em crescimento de 17,6%. Para 2007, a previsão é de atingir US$ 4,3 bilhões em exportações, com expansão de 6,1% sobre os resultados de 2006.
Já o superávit da balança comercial avançou em 13,3%, alcançando US$ 2,9 bilhões em 2006. A expectativa para 2007 é de superávit de US$ 3,1 bilhões, o que significaria crescimento de 7,6%.
DANNIELA SILVA