Bahia amplia tecnologia nas exportações
Vendas externas do estado ganharam valor agregado, gerando uma maior contribuição para a produção de riqueza
As exportações do estado estão ganhando mais conteúdo tecnológico. Pesquisa realizada pelo Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia revela que, apesar de representar 29,2% das exportações baianas em 2006, as vendas externas desses produtos evoluíram de US$ 570 milhões, em 2000, para, aproximadamente, US$ 2 bilhões em 2006, em um crescimento de 247,5% no período.
A Bahia, considerando os segmentos que convencionalmente se denominam de média e alta intensidade tecnológica, vem evoluindo na produção desses bens, principalmente após a implantação do complexo automotivo e de outros pólos industriais, a exemplo dos de informática e eletroeletrônico.
O incremento de conteúdo tecnológico nas exportações leva a uma maior contribuição para a geração de riqueza, com efeito multiplicador para toda a economia e, conseqüentemente, geração de mais postos de trabalho.
A contínua valorização do real, principalmente a partir de 2005, impediu, entretanto, um aumento da participação desses produtos no volume das vendas externas do estado como um todo.
Segundo técnicos do Promo, essa participação chegou a atingir 34,9% em 2004, quando, a partir daí, por força da perda de competitividade, essa participação recuou para os 29% de 2006, ou seja, o mesmo índice que esses produtos tinham na pauta no ano de 2000.
Já os setores de baixa e média baixa intensidade tecnológica apresentam uma pequena evolução na participação das exportações baianas, saindo de 61,78%, em 2000, para 62,76%, em 2006, embora sem a magnitude suficiente para compensar as perdas nas transações com o exterior sofridas pelo segmento de alta intensidade tecnológica.
O crescimento econômico alcançado pelas exportações da Bahia em 2006, portanto, decorreu, principalmente, dos resultados obtidos com o crescimento das vendas dos setores agropecuário e de extração mineral, com a colaboração do segmento de transformação industrial de baixa intensidade tecnológica.
Mas é evidente que as exportações baianas estão com um perfil industrial mais definido que há 10 anos. Em 1995, 54% das vendas externas baianas eram compostas de produtos manufaturados, índice que evoluiu para 63% em 2006.
Por conta disso, a participação baiana no volume das vendas externas brasileiras avançou de 3,5%, em 2000, para 5%, em 2006.
Novos setores
Dentre os principais setores incorporados às exportações baianas de alta/média alta tecnologia estão o de máquinas de escritório e de processamento de dados, de transistores e válvulas, como conseqüência da consolidação do pólo eletroeletrônico em Ilhéus, o de veículos rodoviários, por meio da implantação da Ford Nordeste, além de adubos, artefatos elétricos e produtos de perfumaria.
Avançaram também, no segmento de alta e média tecnologia, as exportações de produtos químicos orgânicos, que cresceram 110% no período 2000/2006, e máquinas e aparelhos elétricos (52%) e produtos químicos inorgânicos (107%), dentre os mais importantes.
Cresceram ainda em ritmo exponencial as vendas de bombas e compressores, máquinas para trabalhar metais e tubos plásticos.
Investimentos
Para que novos setores produtivos de maior complexidade e dinamismo tecnológico venham a se instalar no estado, o governo deve ter como estratégia de longo prazo o desenvolvimento de políticas para atrair investimentos que fortaleçam as cadeias produtivas e que agreguem novas tecnologias, segundo o superintendente do Promo, Ricardo Saback.
"Além disso, deve-se buscar a qualificação da mão-de-obra local, por meio de incentivos aos novos investidores, seja com a oferta de cursos universitários, seja com a instalação de centros de treinamento profissional adaptados à produção de bens de tecnologia sofisticada. Ciência e tecnologia, apoiadas em uma sólida base de educação, são vitais para atrair investimentos voltados para a exportação de bens de maior conteúdo tecnológico", afirmou o superintendente.