País precisa investir US$ 32 bi por ano em energia até 2030
US$ 804 bilhões nos próximos 25 anos para expandir a oferta interna e atender ao crescimento da demanda por energia até 2030. Esses investimentos serão necessários para aumentar a geração de energia elétrica (de fonte hídrica e térmica) dos atuais 87 mil MW de potência instalada para 217 mil MW em 2030 e também para construir mais cinco refinarias de petróleo de grande porte - três com capacidade de processar 250 mil barris por dia - e de pelo menos mais quatro usinas nucleares com potência de 1.000 MW além de Angra 3, só para citar alguns investimentos de grande porte que o país precisará tocar.
As estimativas, que constam do Plano Nacional de Energia (PNE-2030), foram divulgadas ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e consideram um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,1% ao ano nos próximos 25 anos. E indicam que serão necessários, em média, investimentos anuais de aproximadamente US$ 32 bilhões, equivalentes a 2,2% do PIB.
O levantamento, encomendado pelo Ministério de Minas e Energia, indica que os quatro principais recursos da matriz energética brasileira em 2030 serão o petróleo, o gás natural, a cana-de-açúcar e a hidroeletricidade, o que constitui uma mudança importante em relação à década de 70, quando a matriz contava apenas o petróleo e a lenha.
"Na década de 70, duas fontes respondiam pela maior parte da demanda da matriz energética brasileira: lenha e petróleo. Já em 2030 serão quatro, o que significa diversificação maior da matriz e, conseqüentemente, mais elevado grau de segurança", afirmou o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.
O estudo indica que, em 2030, a população brasileira terá crescido em 55 milhões, um contingente comparável à população atual do Nordeste, ou de países como a Espanha e a França. Ainda assim, o país conseguirá manter baixa a dependência externa de energia, competitivos os custos de produção e praticamente inalterados os níveis de emissão de gases, hoje entre os mais baixos dos mundo.
Nesse cenário, o consumo de energia crescerá 4,3% ao ano devido ao aumento da eficiência energética. E a demanda por energia per capita, evoluirá de 1,2 tonelada para 2,3 toneladas equivalentes de petróleo - consumo inferior ao atual de países como Bulgária, Grécia, Portugal ou África do Sul. "O nível de energias renováveis na matriz é de cerca de 44%, alto se comparado ao dos países desenvolvidos, onde está em 6%. No Brasil, esse nível será mantido até 2030. Mas no curto prazo, até 2010, crescerá a emissão dos gases causadores do efeito estufa (CO2), em razão da maior utilização das usinas térmicas, de energia menos limpa", previu Tolmasquim.
Esse Brasil desenhado pelo estudo EPE, que é meramente indicativo, como frisou o executivo, mostra que o país vai consolidar a auto-suficiência no setor de petróleo e gás nos próximos 25 anos, chegando a 2030 produzindo 3 milhões de barris de petróleo por dia e 3,6 milhões de barris/dia de derivados como diesel e gasolina. Já o consumo nacional de energia elétrica subirá dos atuais 375,2 TW/h para cerca de 1.032,7 TW/h, com aumento de 175% no período.