Reajuste de gás deve ter nova fórmula
Distribuidoras do produto do Nordeste querem mais clareza na política de preços da Petrobras
Presidentes e diretores técnicos de distribuidoras de gás natural do Nordeste se reuniram no Fiesta Convention, a convite da direção da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás). Na pauta, a nova fórmula de reajuste do preço do energético estabelecida pela Petrobras, que, na avaliação de Davidson Magalhães, presidente da Bahiagás e vice-diretor da Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), poderia provocar a perda de competitividade do insumo no mercado.
A reunião foi motivada pelo recente comunicado de aumento do preço do gás natural, de 3,13%, a vigorar a partir de 1o de julho. O reajuste surpreendeu o mercado, porque acontece há apenas dois meses do último, de 20,12%. O gás não era reajustado desde novembro de 2005, permanecendo em boa margem de competitividade no mercado de combustíveis.
Reunidos com representantes da área de Gás e Energia da Petrobras, os presidentes das concessionárias nordestinas pediram mais clareza na política de preços da estatal. Manifestaram também o receio de uma perda de competitividade do insumo e suas conseqüências no mercado, já que, pela nova fórmula, haveria aumento de 37,35% em abril de 2008. Os setores mais afetados seriam as indústrias.
Depois de traçar um painel histórico da política de preços da Petrobras, explicando a nova fórmula de reajuste, que propõe reajustes trimestrais mantendo paridade com o óleo combustível, os representantes da estatal explicaram que os aumentos estão sendo feitos em função de uma fase de transição pela qual passaria o mercado de gás até 2010.
Aspectos básicos
– É o período em que a Petrobras faz novos investimentos para suprir o mercado de gás, já que há compromisso com as térmicas para cobrir os riscos de um possível apagão elétrico.Em nome das concessionárias do Nordeste, Davidson Magalhães propôs que se levassem em conta três aspectos básicos nas novas negociações com a Petrobras: a revisão do prazo dos contratos, tendo em vista o compromisso com os clientes, a redução do período de transição e a formação de um grupo de trabalho para estudar a política de preços.
O gerente executivo de Marketing e Comercialização de Gás Energia da Petrobras, Luiz Antônio Costa Pereira, se comprometeu a estudar com os dirigentes da estatal uma forma de reduzir a fase de transição para que o impacto dos reajustes seja menor e criar um mecanismo de proteção para evitar que o gás perca a competitividade.
Antes da reunião com os representantes da Petrobras, os presidentes das companhias de gás do Nordeste discutiram sobre o mercado e as relações com a estatal, sobretudo a política de preços, às vésperas da assinatura de um termo de compromisso.
"Entendemos que o mercado poderá suportar ou não o preço do energético. Se a estratégia da Petrobras, por não ter gás disponível, é fazer reajustes trimestrais, as distribuidoras não podem arcar com o ônus do aumento", afirmou o presidente da Cegás, José Rego Filho.
"Em Pernambuco temos uma infra-estrutura muito grande para a distribuição do gás natural e não sabemos o que fazer se o gás ficar inviável", disse o presidente da Copergás, Aldo Guedes.
Alinhamento
Cada estado tem suas particularidades com relação ao mercado de gás e aos custos, mas Davidson propôs um alinhamento com as distribuidoras para negociar com a Petrobras. "Podemos solucionar sozinhos problemas de volume, mas os preços e as condições ficam difíceis se não forem negociados conjuntamente", destacou o presidente da Bahiagás.
Ficou decidida a realização de um fórum de presidentes de distribuidoras do Nordeste para discutir questões comuns relativas ao mercado do gás, provavelmente em agosto, em Fortaleza. Foi proposta também a realização de uma reunião em Brasília, envolvendo secretários estaduais da Indústria e representantes das federações de indústria, como forma de pressionar o governo federal para encontrar mecanismos para reduzir o impacto dos reajustes do gás no Nordeste.