Plano agrícola libera R$ 58 bi e reduz juros
O governo federal lançou, ontem, o Plano Safra 2007/2008 da agricultura empresarial, anunciando maior volume de créditos e menores taxas de juros, porém, não foramsuficientes para agradar o setor, que considerou o plano “muito aquém das expectativas”.
Em evento no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) anunciaram R$ 58 bilhões de crédito rural, um avanço de 16% em relação aos R$ 50 bilhões do plano anterior.
A taxa anual de juros caiu dois pontos percentuais, de 8,75% para 6,75%. Os médios produtores terão juros de 6,25% ao ano (contra 8% da safra passada) e um limite de crédito ampliado de R$ 48 mil para R$ 100 mil, por meio do Proger Rural (programa de geração de emprego e renda rural).
Segundo Stephanes, a nova taxa representa uma diminuição de 22,9% nos custos dos financiamentos para o produtor rural. O total de recursos com taxa de juros controlada será de R$ 36,45 bilhões, o que corresponde a um acréscimo de 21% em relação ao programado para a safra anterior. Também foram ampliados os limites de custeio, investimento e empréstimos. No caso das lavouras irrigadas de arroz, feijão, mandioca, sorgo ou trigo e milho, o limite passou de R$ 400 mil para R$ 450 mil; para a pecuária bovina e bubalina, leiteira e de corte, subiu de R$ 140 mil para R$ 150 mil; na avicultura e suinocultura, não explorada por parceria, o valor foi de R$ 120 mil para R$ 150 mil.
“Esse plano ficou muito aquém das expectativas. Trata-se de uma cópia do plano anterior que não levou em consideração a crise de rentabilidade do setor”, disse Ricardo Cotta Ferreira, superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “A expectativa era de pelo menos algo inovador, que pudesse, por exemplo, compensar as perdas do setor com a desvalorização cambial”, completou.
O governo prometeu apresentar até meados de julho as conclusões de um grupo de trabalho interministerial criado para buscar critérios de renegociação das dívidas dos produtores, próxima de R$ 100 bilhões. Para o ministro da Agricultura, a idéia é que essa renegociação “antecipada” das dívidas evite a acomodação dos produtores em relação aos seguidos auxílios do governo.
“Justamente para evitar isso (acomodação) estamos trabalhando com antecedência e com critérios”, disse Stephanes, em entrevista na qual sugeriu que os produtores de soja do Centro-Oeste, por conta da dificuldade de escoamento da produção, estarão entre os beneficiados na renegociação.
“É inaceitável que o custo de transporte dos Estados do Sul para o Nordeste seja maior do que o do Brasil para a China, por exemplo”, disse o ministro no lançamento do plano. A dívida dos produtores é, segundo o ministério, a principal razão para o fato de R$ 5 bilhões da safra passada não terem sido aplicados, uma sobra de 10% em relação ao volume total, no valor de R$ 50 bilhões.
Em discurso, Lula comparou as caminhadas que faz todas as manhãs com as ações na agricultura. “Essa ação preventiva que eu faço (caminhadas) tem que ser um espelho das ações preventivas que precisamos ter para a agricultura. E o momento é exatamente este. Não dá para encontrar soluções perfeitas para a agricultura, se a gente deixar para discutir os problemas da agricultura apenas em época de crise”
Lula aposta que o mundo se curvará ao biocombustível
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o mundo vai se curvar ao biodiesel. A declaração foi feita durante o lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2007-2008, em Brasília. “Eu estou convencido de que será inexorável: o mundo vai se curvar à questão do biodiesel. É apenas uma questão de tempo e vai depender de não aceitarmos o argumento de que os biocombustíveis vão ocupar a área de alimentos, a Amazônia, de não aceitarmos nenhum argumento que não seja o argumento de que nós patenteamos um combustível que eles não patentearam”, afir mou.
Segundo Lula, colocar o biocombustível no mercado internacional significaria cumprir o que foi assinado no Protocolo de Kyoto. Também ontem Lula afirmou que se os Estados Unidos e a União Européia não aceitarem reduzir seus subsídios agrícolas, o Brasil não aceitará abrir o mercado industrial no âmbito das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Se eles não abrirem a agricultura, não tem mais conversa. Não podemos trabalhar com eles no século 21 como se trabalhou no século 20. Ou seja, eles precisam compreender que os países emergentes precisam de oportunidades para disputar com eles”, disse Lula.
A divergência entre países desenvolvidos e em desenvolvimento na questão agrícola foi o que motivou a suspensão da reunião do G4 (grupo formado por Estados Unidos, União Européia, Índia e Brasil) na semana passada.