Maior produtividade sem adubação
Duas novas variedades de feijão e uma de melancia serão lançadas amanhã, na abertura da segunda edição regional da Agrishow, que fica até o dia 7, em Petrolina (PE). A feira é realizada em uma área experimental de 32 hectares da Embrapa SemiAacute;rido, a 40 quilômetros do centro da cidade, com espaço de 30 mil metros quadrados, onde estarão mais de 100 estandes de variados segmentos.
Nesta área, em paralelo à mostra, que reúne tecnologias voltadas para a agricultura familiar no semiárido nordestino, haverá encontros e demonstrações, em campo, apresentando inovações e centenas de alternativas de convivência com a seca e transferência de tecnologias. Na pesquisa da Embrapa com feijões, a variedade caupi foi submetida a cultivos em áreas de sequeiro ou sob irrigação, no sertão nordestino, e a BRS pujante surpreendeu pela produtividade sem adubação: 705 kg/ha e 1.586 kg/ha, quantidade que ultrapassa as obtidas com variedades de cultivos tradicionais na região.
Para o pesquisador Carlos Antônio Fernandes Santos, o que torna uma variedade uma inovação técnica para a cadeia produtiva na região do vale é a habilidade para alcançar boas safras em situações agrícolas diversas. O feijão caupi, conhecido como feijão-macassar ou feijão-de-corda, é fonte de proteínas e carboidratos para a população das áreas secas do Nordeste. Plantado em uma área de 1,6 milhão de hectares no Nordeste, que produz cerca de 550 mil toneladas por ano, o feijão caupi é uma importante fonte de renda e de emprego nessa região, avalia o pesquisador Carlos Antônio, acrescentando que a nova variedade foi registrada junto ao Ministério da Agricultura.
As sementes poderão ser adquiridas em breve no Escritório de Petrolina da Embrapa Transferência de Tecnologia. A variedade BRS punjante, que resultou de cruzamentos de cultivares, possui características produtivas interessantes, como tolerância ao calor nos meses de setembro a novembro, tamanho dos grãos e da vagem e produção em área de sequeiro e irrigada. A variedade apresenta, segundo o pesquisador, um conjunto de qualidades produtivas como volume das safras e resistência às principais viroses que atacam a espécie e são responsáveis por perdas elevadas nos plantios. Além disso, apresenta qualidade do grão para cozimento e uso na culinária das famílias de agricultores, com bom rendimento na panela e ciclo de produção considerado precoce, indo do plantio à primeira colheita de grãos secos em apenas 70 dias.
MELANCIA – Além do feijão, outra novidade que estará presente na Agrishow é a melancia BRS opara, com índices de produtividade oscilando entre 40 e 60 toneladas por hectare e resistente ao oídio, uma doença intensificada na fase de formação dos frutos, que provoca a seca e a morte das folhas, causa redução no tamanho e na quantidade das melancias no campo, reduzindo, ainda, o adocicado, o que acaba prejudicando o valor comercial do produto no mercado.
Desenvolvida para o semi-árido, a melancia BRS opara deve acrescentar, de acordo com a pesquisadora Rita de Cássia Souza Dias, "importantes características à cadeia produtiva da melancia que a farão chegar ao mercado respaldada pela redução do uso de insumos químicos no controle do oídio". Há diminuição ainda dos danos ao meio ambiente, nos custos de produção e com impacto na oferta de fruta saudável.
Os produtores rurais que devem chegar para a Agrishow terão orientações que vão servir no seu dia-a-dia e contam com demonstrações de tecnologias, produtos e serviços de experimentos que já deram certo, entre os quais estão a barragem subterrânea, o aproveitamento dos rejeitos da dessalinização para a produção de tilápias e forragem, o cultivo de pinhão manso, diferentes variedades de mamona e a demonstração técnica das boas práticas agropecuárias, do zoneamento agroecológico, a utilização do software irriga caju e do software irriga melão.
Debates mostram alternativas de convivência com a seca
Em debates tecnológicos entre as unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), nas instituições de pesquisas e nas universidades, tem sido constante a abordagem de temas no sentido de capacitar os agricultores familiares.
Os assuntos são sempre relacionados a alternativas de convivência com a seca e transferência de tecnologia para áreas de sequeiro. Esses encontros, a exemplo da Agrishow, debatem armazenamento e uso racional da água para consumo humano e animal e na irrigação no semiaacute;rido.
Mostram também a produção de leite bovino em pequenas propriedades, agricultura orgânica, sistema de produção agroecológica, produção de sementes de milho para a agricultura familiar e, também, processamento de frutas em pequenas unidades, criação de galinhas caipiras, de abelhas, além dos quintais produtivos na agricultura familiar e como produzir beijus enriquecidos.
CRISTINA LAURA