Indústria coloca café premiado no mercado

03/07/2007
Indústria coloca café premiado no mercado
 

A indústria baiana Sobésa Café, com sede no município de Santana, na região oeste, está em busca de um operador logístico de Salvador que atue no segmento da gastronomia (restaurantes, hotéis e cafeterias), para distribuição das embalagens de grãos especiais da marca Santés, próprias para máquinas de café expresso. O objetivo é colocar à disposição dos consumidores da capital o lote especial, que leva o selo Cafés Premiados – Safra 2006/2007, lançado dia 16 de abril pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), com série limitada. A empresa, fundada há 44 anos, com filiais em Feira de Santana e Brasília, possui estrutura para distribuição em supermercados, mas não para atender ao segmento de food service, foco do café premiado.

“As embalagens são numeradas, o que valida a seriedade do programa da Abic, que premia os cafés de altíssima qualidade”, diz Pavel Cardoso, diretor geral da Sobés, frisando que o lote foi blendado com o café campeão da 3ª Edição Especial dos Melhores Cafés do Brasil, produzido também na Bahia, na fazenda Divino Espírito Santo, do município de Piatã, na Chapada Diamantina. Concorreram nada menos que 4.000 produtores de cinco estados brasileiros. A Bahia conquistou também o 5º lugar, com a fazenda Brejo do Aguiar, do município de Ibicoara.
 
 A Sobés Café fez parte do consórcio “Qualidade Brasil”, que arrematou o lote campeão no leilão promovido pela Abic, em novembro de 2006, onde cada uma das dez sacas de café arábica cereja descascado custou R$4.430, valor bem acima dos R$290 praticados no mercado para produtos similares. Participaram do consórcio, também, as empresas Guadalli, de Santa Catarina, e  Toko, de Minas Gerais. A Sobés ficou com quatro sacas. “Esse café normalmente é blendado com igual quantidade de outro café também de excelente qualidade, o que faz com que as dez sacas rendam 140 mil xícaras de café”, explica o empresário. Ele se disse orgulhoso por ter o “privilégio” de fabricar cafés especiais com grãos produzidos no estado.

A Bahia, na última safra, subiu do quinto para o quarto lugar no ranking nacional dos estados produtores de café, com uma produção anual perto de 2,5 milhões de sacas e 120 indústrias em atividade. O Brasil, mesmo sendo o maior produtor mundial, responsável por um terço do consumo de café, que este ano deve chegar perto de 120 milhões de sacas, não fatura nem 3% dos US$90 bilhões que o setor movimenta. A explicação está no fato de exportar commoditie e não o café industrializado, pronto para o consumo. “O país que mais exporta café acabado é a Alemanha, que não planta um pé de café. Isso é um absurdo e precisamos mudar esse cenário porque temos café de primeira linha”, sustenta Pavel Cardoso.

MÔNICA BICHARA