Produtores buscam novos negócios na Europa

03/07/2007
Produtores buscam novos negócios na Europa
 

Com posição de destaque nas exportações brasileiras de sisal, a Bahia responde por 90% de toda a produção comercializada para fora do país. De olho na demanda da Europa para novos negócios, representantes do segmento do sisal no estado estão realizando uma série de viagens a países daquele continente, visando prospectar novas oportunidades e apresentar novas aplicações para a fibra. A missão comercial iniciou os trabalhos pela Alemanha, maior importador do Brasil dentro da comunidade européia, com 6,5 mil toneladas de fibra e derivados de sisal por ano.

“Queremos não apenas vender, fornecer o que o importador já adquire há mais de 50 anos, mas também entender a demanda do setor, que tipo de embalagem ou tamanho de bobina ele prefere, quais as modificações que ele gostaria de fazer nos próximos anos. Estamos preocupados em abrir novos mercados e adaptar os produtos às exigências de amanhã”, declara o presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindifibras), Wilson Andrade.

Ele conta que, nessa primeira viagem, a delegação conheceu grandes importadores e suas necessidades na área de fibra e derivados de sisal e, sobretudo, abriu oportunidades para a exportação do sisal baiano para utilização em novos segmentos, a exemplo da indústria automobilística, substituindo a fibra de vidro e a fibra sintética em painéis e forros de portas.

“Os novos usos significam um grande futuro para o sisal. São adequações importantes, visto que as fibras de vidro são prejudiciais ao meio ambiente e a fibra de amianto, utilizada nas caixas d´água e telhas, é cancerígena, já proibida em diversos países”, comenta o presidente do Sindifibras. “Certamente, dentro de dois, três anos, essas novas demandas devem dobrar o volume atual de exportações do Brasil, de US$100 milhões”, acrescenta.

Ao todo foram visitadas dez cidades na Alemanha, durante os dias 1º e 10 de junho. No roteiro, reuniões com importadores, trading companies, além da embaixada brasileira e de uma visita às estruturas do Porto de Hamburgo. A delegação baiana também esteve presente na Feira Agrícola Agri-Historika, onde foram distribuídos materiais promocionais e visitados estandes de fabricantes de máquinas agrícolas, grandes distribuidores e produtores rurais. “A receptividade foi muito boa e muitas empresas demonstraram interesse em importar o sisal baiano para novas demandas”, afirma Andrade.

Coordenada pelo Sindifibras, com apoio da Agência de Promoção de Exportações (Apex Brasil) e do Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia, a missão foi composta por três pessoas, representando as 16 empresas do projeto Sisal-Apex. As próximas viagens previstas são para Inglaterra, França, Espanha e Itália, que serão realizadas dentro de dois anos.

Segundo o Promo, as exportações baianas de sisal e derivados para a Alemanha chegaram a US$749,7 mil no primeiro trimestre do ano. O estado exportou principalmente para Estados Unidos, China, México, França, Portugal e Alemanha. Dos US$33,1 milhões em derivados de sisal exportados pelo Brasil para todo o mundo nos três primeiros meses deste ano, 98,3% foram vendidos pela Bahia. (AP)