Seagri quer modernizar produção de mandioca e frutas tropicais
Com a maior área plantada de mandioca do Brasil e sendo o segundo maior produtor nacional da raiz (ficando atrás do Paraná), Bahia ainda importa fécula e farinha para consumo humano. Para reverter essa situação o Governo do Estado, por intermédio da Secretaria da Agricultura (Seagri), deu o primeiro passo na última sexta-feira (29), quando o secretário Geraldo Simões esteve em Cruz das Almas visitando a unidade da Embrapa – Mandioca/ Fruticultura.
Segundo Simões o ponto forte da visita ao município, que fica a 146 quilômetros de Salvador, no Recôncavo do estado, foi o contato com a unidade da Embrapa e a celebração de dois convênios com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). “Cruz das Almas é um centro de tecnologia da agronomia do estado, por isso vamos aqui dar os primeiros passos. Nossa idéia é utilizar as tecnologias e projetos dessas instituições e aplicá-los no Estado, para ampliar a produtividade e melhorar as condições dos agricultores familiares”, explicou.
No caso da Embrapa, o secretário deixou bem claro que o objetivo é introduzir tecnologias mais avançadas no que diz respeito ao cultivo e ao manejo da mandioca e de frutas tropicais. “Vamos transferir os conhecimentos adquiridos na Embrapa para implementar a cultura da mandioca, mudando a realidade do estado, que atualmente consome farinha e importa fécula do Paraná, mesmo tendo a maior área plantada no país”, disse ele.
Embrapa
Durante a visita do secretário e sua comitiva foram apresentados slides com a história da unidade, implanta na década de 40, além de metas e projetos a serem desenvolvidos durante o ano de 2007, tais como a revitalização da citricultura, fortalecimento da produção e industrialização da mandioca, melhoramento do maracujá, incentivo ao desenvolvimento de novos produtos visando à verticalização da produção, dentre outras.
Para o chefe da unidade, José Carlos Nascimento, essa visita aponta um novo momento de estreitamento de relações entre a Embrapa e o Governo do Estado. “Esta é uma oportunidade muito importante para trabalharmos em conjunto, proporcionando uma nova realidade, gerando emprego e renda. Vamos viabilizar uma estratégia para que sejam desenvolvidas com mais desenvoltura as culturas da mandioca e fruticultura, no que diz respeito ao processamento, além de fazer um levantamento das condições do solo no estado em grande escala”, informou Nascimento em relação às propostas analisadas na visita da equipe da Seagri.
A unidade da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical tem como objetivo viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do agronegócio mandioca e fruticultura por meio de geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias em benefício da sociedade. Lá são cultivados abacaxi, acerola, banana, maracujá, manga, mamão, citros e mandioca.
De acordo com o presidente da EBDA, Emerson Leal, as alternativas apresentadas pela Embrapa são muito positivas e a parceria trará bons aos frutos, principalmente para os agricultores familiares. “A Embrapa é referência em todo o país, inclusive na América Latina, portanto essa parceria tende a alavancar a nova fase da EBDA com a retomada da cultura da mandioca e citros”.
Podridão Vermelha
Depois de visitar a unidade, a comitiva seguiu para a Reitoria da UFRB, onde está localizada a mais antiga escola de agronomia da América Latina. Lá, foram celebrados dois convênios com a universidade e a Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab). O primeiro convênio prevê o controle da Podridão Vermelha do Sisal, principal praga que atinge a cultura no Estado.
Para o diretor geral da Adab, Altair Santana, o convênio assinado mostra a preocupação do Governo do Estado com um dos principais produtos da exportação baiana, o sisal, que vem apresentando prejuízos ao produtor na medida em que diminui a produtividade. “A região do Semi-árido é uma das prioridades nas ações da Seagri e esse convênio fortalece a cultura do sisal, a principal da região, reduzindo as perdas provocadas pela Podridão Vermelha”.
A estimativa é que o controle da praga beneficie, inicialmente, cerca de seis mil famílias de pequenos agricultores em 16 municípios, entre eles, Araci, Campo Formoso, Conceição do Coité, Gavião, Capela do Alto Alegre, Senhor do Bonfim, Santa Luz, Pé de Serra, Nova Fátima e São Domingos. O estado da Bahia, maior produtor de sisal do País, tem esta fibra como seu segundo maior produto agrícola de exportação, e responde por aproximadamente 94 % da produção nacional, que é de 187.186 mil toneladas, segundo dados de 2004 do IBGE.
“Nosso forte é a área de ciências agrárias, por isso a importância desses convênios, um deles para estudo da doença do sisal e o outro mais amplo para a utilização do Centro de Ciências Agrárias para o desenvolvimento de pesquisas”, ressaltou o reitor na UFRB, Gabriel Nacif.
Na Câmara Municipal outros convênios foram assinados com a prefeitura de Cruz das Almas. O primeiro para a retomada do Programa Flores da Bahia, que beneficia 22 famílias. O secretário assinou também convênio de parceria para a realização da 3ª Expoflores, que será realizada em setembro deste ano e para a permanência de dois tratores da EBDA, através de comodato, até dezembro de 2008. Finalizando o seu roteiro o secretário visitou a unidade do Programa Flores da Bahia.
Segundo o prefeito de Cruz das Almas, Orlando Peixoto Pereira Filho, a retomada do projeto é uma reparação do Governo do Estado, tendo em vista que estava parado há quase um ano sem a contrapartida do estado, funcionando apenas com recursos da prefeitura. “O secretário Geraldo Simões reassumiu o compromisso com Cruz das Almas, através do Flores da Bahia, dando auto-sustentabilidade ao projeto”, resumiu.
Compuseram a comitiva os superintendentes da Agricultura Familiar, Ailton Florêncio; do Desenvolvimento Agropecuário, Wilton Cunha; de Política do Agronegócio, Eujácio Simões; o diretor da Biofábrica de Cacau, Moacir Smith; o chefe de gabinete, Carlos Sodré e o ex-conselheiro da Embrapa, Virgildásio Senna.
Ascom/ Seagri
Pedro Formigli
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