Falta de recursos hídricos do Nordeste é discutida em atlas

05/07/2007

Falta de recursos hídricos do Nordeste é discutida em atlas

Em audiência pública realizada hoje na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o superintendente de Planejamento e Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA), João Gilberto Lotufo, apresentou o Atlas do Nordeste. O documento produzido pela agência aponta risco de escassez hídrica, com base em análise de fatores geoclimáticos, em 234 municípios da região e do norte de Minas Gerais.

O superintendente da ANA disse que o atlas abrange mais de 1.300 municípios dos nove Estados do Nordeste e do norte de Minas Gerais. “O Atlas diagnostica o problema da oferta de água em cada município e identifica as principais alternativas técnicas, que podem estar nos mananciais, captação, tratamento e adução”, explicou.

De acordo com Lotufo, até o ano de 2025 serão necessários R$ 3,6 bilhões em investimentos nas localidades pesquisadas pelo Atlas para que não haja problemas de abastecimento de água aos mais de 34 milhões de habitantes da região. “Dessa quantia, 56% têm que ser destinados somente ao semiaacute;rido. Em 2015, 66% dos locais terão que mudar suas fontes de água, ou seja, mananciais”, afirmou.

O representante da Articulação do SemiAacute;rido Brasileiro (ASA), Roberto Malvezzi, considera o Atlas o documento mais completo já elaborado sobre os recursos hídricos no Nordeste. Segundo ele, o projeto deve servir de instrumento para a política do governo. “A publicação, que abrange mais de 1.300 cidades, é excelente. Tem como prioridade fornecer abastecimento de água à população. Enquanto que o projeto de transposição do Rio São Francisco, por exemplo, tem o intuito de desenvolver a região, sem se importar com a questão da água para os humanos como prioridade”, disse.

Boff explica que a transposição não é a salvação para a região. Ele quer que a “limitação da obra” fique evidente para a população. “Os problemas no semiaacute;rido têm que ser tratados como um todo e não somente em pequenas regiões”, afirmou. Leonardo Boff acredita que o problema da seca no Nordeste seria minimizado com investimentos em construção de cisternas. “Nós ainda perdemos muita água de chuva. Temos que aproveitar mais, já que o índice pluviométrico na região é de 700, 750 mm por ano. A água que fica guardada nas cisternas, quando tratada corretamente, é totalmente saudável”. Segundo Leonardo, é inadmissível perder milhões de litros de água com a irrigação de cana-de-açúcar no semi-árido, por exemplo.

LEANDRO KLEBER