Região de Paulo Afonso terá central nuclear

09/07/2007

Região de Paulo Afonso terá central nuclear

A visita do ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, no dia 15 de junho, para inaugurar o Centro de Desenvolvimento e Difusão em Aqüicultura, no Campus VIII da Uneb, racendeu o debate sobre o que deverá ser a Quarta Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento do País, desta vez tendo como pólos Paulo Afonso(BA), Petroblândia (PE), Piranhas (AL) e Canindé do São Francisco (SE) com os municípios de suas respectivas áreas de influência nos quatro estados nordestinos, entre as barragens de Itaparica e Xingó. 

Influiu também para fortalecer a luta pela criação da nova Ride, a segunda na Bahia, o sinal de retomada do Programa Nuclear brasileiro emitido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ao aprovar a construção da Usina de Angra III. Como tinha sido admitido por técnicos do Governo Federal, em caráter reservado, no Seminário Franco Brasileiro de Energia Nuclear (Recife, outubro de 2006), o Nordeste pode sediar uma quarta usina nuclear, caso haja uma retomada do Programa Nacional de Energia Nuclear e a melhor localização é a Região do Baixo São Francisco, entre Alagoas e Sergipe, perto da Hidrelétrica de Xingó. Os estudos para a microlocalização deverão começar neste segundo semestre de 2007. Só assim a usina, que terá 1 mil megawatts (MW) de potência, entrará em operação a partir de 2017. 

O diretor de Operação da Eletronuclear, Pedro Diniz de Figueiredo, explica que o local escolhido terá capacidade para outras cinco unidades a fim de atender ao crescimento econômico do país. Projeta-se construir duas centrais, a primeira no Nordeste e a segunda no Sudeste. A prioridade do Nordeste se justificaria por não ter mais possibilidades de expansão da energia hídrica. Uma informação dada pelo presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, deixou alagoanos e sergipanos em alerta. Ele confirmou, em evento no Rio de Janeiro, que se chamará Guararapes a primeira usina nuclear do Nordeste. E muitos se indagam: referência a Jaboatão dos Guararapes, município de Pernambuco, também na disputa pela usina? Pedro Diniz se defende: “Não tem nada ver. Trata-se apenas de um nome genérico utilizado nas apresentações do presidente. Não há absolutamente nenhuma correlação ao local geográfico”. E assegura: “uma coisa é certa: a central será instalada no Sistema Chesf”. 

O deputado federal Albano Franco (PSDB) reivindicou para Sergipe a localização de uma das duas centrais nucleares que serão construídas no Nordeste. Foi em pronunciamento na sessão do dia 27 último na Câmara, quando considerou como extremamente alvissareira a retomada do programa nuclear brasileiro e o reinício imediato das obras da Usina Termonuclear Angra III. 

MOBILIZAÇÃO

A batalha política pela Região Administrativa independe da usina nuclear e decorre de um preceito já defendido no Manifesto Regionalista de 1926: “Regionalmente é que deve o Brasil ser administrado”. E sobretudo precisa basear-se em ampla mobilização das comunidades dos municípios do Submédio e Baixo São Francisco, que já fazem parte do universo mais abrangente da Mesorregião do Xingó.
  

Redução da disparidade social

Esta Ride, como a do Pólo Petrolina (PE) e Juazeiro(BA), terá de ser criada por Lei Complementar, regulamentada por decreto, como previsto na Constituição Federal. E deverá acrescentar à matriz hidrelétrica das usinas da Chesf nova central nuclear de produção de energia termelétrica a partir de urânio entre Alagoas e Sergipe, perto de Xingó, e projetos de biocombustível no semi-árido baiano, pernambucano, alagoano e sergipano, viabilizados, principalmente, pelo cultivo de mamona, e por usinas para processamento do óleo desta oleaginosa.


 A Ride, com tríplice matriz de energia, e sem descartar-se a eólica e a solar, por exemplo, contribuirá, substantivamente, para o fortalecimento da economia regional e, em particular, do turismo. Os reflexos positivos se farão sentir na sua infra-estrutura, sobretudo o melhoramento e ampliação da malha rodoviária, e nos seus serviços públicos de saúde, através da recuperação do Hospital Nair Alves de Souza, e de educação nos diversos níveis de ensino. O combate à violência e a preservação ambiental não podem ficar de fora do esforço conjugado para vencer o atraso facilitador de exclusões.


Espera-se que a Ride, mecanismo de ações articuladas da União, Estados e Municípios, desde a escala regional, passando pela microrregional, até a local, efetive, como centros de pesquisas, o Instituto Xingó, já existente, capacitando-o para gerar tecnologias de convivência produtiva com a seca, e a Universidade Federal do Sertão, para justificar mais ainda sua criação. Vertente que se fortalecerá com o Programa Nuclear.