Pac do Cacau terá recursos novos de R$ 2 bilhões

09/07/2007

Pac do Cacau terá recursos novos de R$ 2 bilhões

 

Além da repactuação da dívida dos produtores de cacau, da ordem de R$ 700 milhões, o Plano Executivo para a Aceleração do Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio na Região Cacaueira, a ser lançado nos próximos dias, prevê a injeção de outros R$ 2 bilhões de recursos novos para a renovação de cacauais em bases mais produtivas e a diversificação da atividade agrícola na região.
A revelação foi feita hoje (9) pelo secretário da Agricultura do Estado, Geraldo Simões, em entrevista ao Programa Bom Dia Bahia, exibido pela TV Aratu. Simões informou que o plano, já conhecido como Pac Cacau, é fruto de gestões levadas ao governo federal pelo governador Jaques Wagner e visa retirar a região da grave crise em que está mergulhada ha duas décadas, já que iniciativas nesse sentido, adotadas em governos anteriores, não deram os resultados esperados.
“Eleita como uma das prioridades do governo Jaques Wagner, a região cacaueira vai voltar a ter a importância econômica que já teve no passado”, garantiu Geraldo Simões, acrescentando que além de recuperar e modernizar 150 mil hectares de cacauais, duplicando a produção atual.
O plano prevê, para os próximos oito anos, a implantação de 100 mil hectares de seringueiras e outros 100 mil hectares de dendê, esta última cultura nas áreas costeiras da região. A produção dos seringais será absorvida pelas quatro indústrias de pneumáticos instaladas no Estado, enquanto a do dendê será utilizada, sobretudo, na produção do biodiesel.

Novas bases

Simões revelou ainda que tanto a repactuação da dívida quanto os novos financiamentos serão feitos com juros especiais e em condições diferenciadas de prazo, de forma a permitir a efetiva recuperação econômica da região. Os R$ 700 milhões da dívida devem ser refinanciados, com juros de cerca de 7% ao ano e uma carência de sete ou oito anos, para que o produtor possa pagá-los com a renda de seus cacauais já produzindo em novas bases. Para preparar as propriedades para essas novas bases produtivas é que se injetarão, na região, em 8 ou 9 anos, recursos novos da ordem de R$ 2 bilhões, disse ainda o secretário.
Só dessa forma, segundo ele, a economia regional pode se recuperar, uma vez que muitos cacauicultores estão excessivamente endividados, com hipotecas de quinto grau, e sem condições de tomar novos recursos para implantar novos modelos de manejo em suas propriedades e diversificar sua produção.

A renovação dos cacauais, segundo ele explicou, será feita com base, principalmente, na disseminação das diversas experiências de manejo bem sucedidas, que têm conseguido conviver com a vassoura-de-bruxa. “Sabemos que muitas dessas experiências vêm conseguindo manter os mesmos índices de produtividade do período anterior à disseminação da doença e até mesmo ampliar esses índices”, disse o secretário, acrescentando que o que está faltando é recurso na mão do produtor para que ele possa implantar esses modelos de manejo em suas propriedades e, além disso, diversificar a produção. 

Frutas e flores


“Há fazendeiros conseguindo produzir 60, 80 e até 100 arrobas por hectare, enquanto a produção média, na região é de 20 arrobas por hectare”, revelou Simões, sustentando que alguns desses modelos de manejo já foram convalidados pela Ceplac e pela Universidade de Campinas. Segundo ele, algumas desses manejos, que ele considera “vitoriosos”, consistem na introdução de práticas simples como “baratinar” a vassoura-de-bruxa alterando, por exemplo, a época da poda do cacaueiro.
O fazendeiro de cacau deve passar a ser, agora, segundo Geraldo Simões, um empresário rural, utilizando tecnologia moderna, plantando cacau somente em terras apropriadas, adensando seus plantios, usando mudas clonadas de qualidade e empregando técnicas aprovadas de manejo, com orientação. “Além disso”, recomenda, “devem se unir em cooperativas ou associações para agregar valor ao cacau, produzindo o licor ou a manteiga”.
Elaborado após diagnóstico feito por um grupo de trabalho com representantes do Ministério da Agricultura, Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri), Ceplac, Embrapa, EBDA e entidades representativas de produtores e industriais do cacau, o plano contempla forte apoio à capacitação profissional, ao associativismo, ao cooperativismo e à agricultura familiar, com ênfase especial na agroindustrialização e comercialização dos produtos.
Ao lado das culturas do cacau, da seringa e do dendê, o plano de recuperação da economia da região cacaueira prevê a diversificação da economia, com o desenvolvimento de culturas frutíferas como banana, mamão, cupuaçu, maracujá, além de pupunha e flores. Para uma dessas fruteiras, explica ainda o secretário, o plano vai apoiar a verticalização da produção, com a fabricação de doces, sucos, polpas e outros preparados, por meio de associações ou cooperativas de produtores.



Pedro Formigli - Assessoria de Imprensa – Seagri
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