Plano vai revitalizar produção de cacau
O PAC para o setor terá recursos de R$ 2 bilhões para renovação das plantações e diversificação da atividade
O Plano Executivo para a Aceleração do Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio na Região Cacaueira, a ser lançado nos próximos dias, prevê a injeção de R$ 2 bilhões de recursos para a renovação de cacauais em bases mais produtivas e a diversificação da atividade agrícola na região. Do plano, consta ainda a repactuação da dívida dos produtores de cacau, da ordem de R$ 700 milhões.
A revelação foi feita ontem pelo secretário da Agricultura do Estado, Geraldo Simões, em entrevista ao Programa Bom Dia Bahia, exibido pela TV Aratu. Simões informou que o plano, já conhecido como PAC Cacau, é fruto de gestões levadas ao Planalto pelo governador Jaques Wagner e visa retirar a região da grave crise em que está mergulhada há duas décadas.
"Eleita como uma das prioridades do governo estadual, a região cacaueira vai voltar a ter a importância econômica que já teve no passado", garantiu Geraldo Simões, acrescentando que o projeto é recuperar e modernizar 150 mil hectares de cacauais, duplicando a produção atual.
O plano prevê, para os próximos oito anos, a implantação de 100 mil hectares de seringueiras e outros 100 mil hectares de dendê, esta última cultura nas áreas costeiras da região. A produção dos seringais será absorvida pelas quatro indústrias de pneumáticos instaladas no estado, enquanto a do dendê será utilizada, sobretudo, na produção do biodiesel.
Novas bases -
Simões revelou ainda que tanto a repactuação da dívida quanto os novos financiamentos serão feitos com juros especiais e em condições diferenciadas de prazo, de forma a permitir a efetiva recuperação econômica da região.Os R$ 700 milhões da dívida devem ser refinanciados com juros de cerca de 7% ao ano e uma carência de sete ou oito anos, para que o produtor possa pagá-los com a renda de seus cacauais já produzindo em novas bases. "Para preparar as propriedades para essas novas bases produtivas é que se injetará na região, em 8 ou 9 anos, recursos da ordem de R$ 2 bilhões", disse ainda o secretário.
Só dessa forma, segundo ele, a economia regional pode se recuperar, uma vez que muitos cacauicultores estão excessivamente endividados, com hipotecas de quinto grau, e sem condições de tomar recursos para implantar novos modelos de manejo em suas propriedades e diversificar sua produção.
A renovação dos cacauais, segundo ele explicou, será feita com base, principalmente, na disseminação das diversas experiências de manejo bem sucedidas, que têm conseguido conviver com a vassoura-de-bruxa.
"Sabemos que muitas dessas experiências vêm conseguindo manter os mesmos índices de produtividade do período anterior à disseminação da praga e até mesmo ampliar esses índices", disse, acrescentando que o que está faltando é recurso na mão do produtor para que ele possa implantar esses modelos de manejo em suas propriedades e, além disso, diversificar a produção.
Frutas e flores -
"Há fazendeiros conseguindo produzir 60, 80 e até 100 arrobas por hectare, enquanto a produção média, na região é de 20 arrobas por hectare", revelou Simões, sustentando que alguns desses modelos de manejo já foram convalidados pela Ceplac e pela Universidade de Campinas.Segundo ele, alguns desses manejos, que ele considera vitoriosos, consistem na introdução de práticas simples como ‘baratinar’ a vassoura-de-bruxa alterando, por exemplo, a época da poda do cacaueiro.
O fazendeiro de cacau deve passar a ser, agora, segundo Geraldo Simões, um empresário rural, utilizando tecnologia moderna, plantando cacau somente em terras apropriadas, adensando seus plantios, usando mudas clonadas de qualidade e empregando técnicas aprovadas de manejo, com orientação. "Além disso, devem se unir em cooperativas ou associações para agregar valor ao cacau, produzindo o licor ou a manteiga", completou.
Elaborado após diagnóstico feito por um grupo de trabalho com representantes do Ministério da Agricultura, da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), Ceplac, Embrapa, EBDA e entidades representativas de produtores e industriais do cacau, o plano contempla forte apoio à capacitação profissional, ao associativismo, ao cooperativismo e à agricultura familiar, com ênfase especial na agroindustrialização e comercialização dos produtos.