Bahia em 1º lugar na produção de biodisel
O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel encontra na Bahia a maior área plantada para produção de biocombustível do País. Dos 246,3 mil hectares de todo o Brasil, 93,7 mil estão em terras baianas, sobretudo em pequenas propriedades agrícolas, a chamada agricultura familiar, base de sustentação do programa. Com isso, o Ministério de Ciência e Tecnologia coloca o Estado no ranking de maior produtor de biodiesel brasileiro.
Atualmente, a Bahia conta com uma fábrica em atividade e mais duas previstas para entrar em operação neste semestre. A Usina Brasil Ecodiesel, localizada no município de Iraquara, está produzindo 360 mil litros diários de biodiesel produzidos a partir do óleo de dendê, da mamona, do amendoim e do girassol. Conforme o gerente da indústria Edísio Vasconcelos, a produção está sendo escoada para a Bahia e para outros Estados. O biocombustível é vendido para a Petrobras que, através da BR Distribuidora, distribui o biodiesel para outras empresas como a Shell e Ipiranga.
Dois por cento deste biodiesel, que é chamado de B2, é misturado a outros combustíveis fósseis como o óleo diesel. Para o final deste mês está prevista a entrada em operação da Comanche Biocombustível da Bahia, que pretende produzir 40 milhões de litros/ano a partir da soja, do algodão, do girassol e de sebo animal.
Segundo o diretor da empresa Hilton Barbosa Lima, a previsão é de que a planta seja ampliada no final deste ano e que entre em 2008 com a capacidade de produção elevada para 100 milhões de litros/ ano. “Estamos investindo no plantio de outras matérias-primas como o pinhão manso e a mamona que possuem alto teor de óleo”.
Outra indústria de produção de biodiesel deverá ser inaugurada em 2007, no município de Candeias. Essa planta vem com grife de peso: Petrobras, e com capacidade de processamento de 50 mil toneladas/ ano. Isso significa que a planta de Candeias produzirá 57 milhões de litros/ano.
Segundo o engenheiro David Leal, do Setor de Biocombustíveis da Petrobras, a proposta é utilizar a matéria-prima produzida na agricultura familiar. “No mínimo 50% da matéria-prima virá desta fonte“, disse. Para tanto, a empresa vem realizando diversas atividades com o objetivo de sensibilizar e mobilizar agricultores para que participem das discussões e se incorporem à cadeia produtiva do biodiesel.
A partir de 2008, a mistura de 2% de biodiesel ao diesel será obrigatória e em 2013, a proporção subirá para 5%. Na unidade da Petrobras, a matéria-prima será do mesmo grupo de oleaginosas utilizado pelas demais indústrias: mamona, dendê, girassol e amendoim. O engenheiro Adolfo Almeida, da equipe de pesquisadores da Universidade Estadual Santa Cruz (Uesc), acredita no potencial do Estado para a produção do biodiesel a partir do dendê, do algodão e do amendoim, mas questiona a utilização da mamona como matér ia-pr ima.
Integrante da equipe pioneira na pesquisa de combustíveis renováveis, Almeida afirma que esta oleoginosa tem restrições técnicas e ambientais. “Além disso, o processo se torna muito mais caro do que os demais“, disse. O professor aposta na utilização do pinhão manso, mas afirma que só depois de concluídas as pesquisas, provavelmente daqui há 10 anos. Mas o que o pesquisador não acredita mesmo é na capacidade de produção anunciada pela Brasil Ecodiesel em função da dificuldade de matéria-prima. “Não acredito que os projetos de produção de biodiesel a partir da mamona oriunda da agricultura familiar possam atingir as metas previstas, uma vez que o óleo da mamona tem um valor de mercado maior do que os demais óleos vegetais”, ressalta.
Lula critica cartel contra o etanol
Em campanha para tornar o álcool uma alternativa internacional aos combustíveis fósseis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o programa semanal de rádio “Café com o Presidente” para avisar que o Brasil não aceitará que seu desenvolvimento seja atrapalhado pelo que chamou de cartel dos poderosos — numa alusão indireta às nações que fazem questionamentos ambientais e sobre o futuro da oferta de alimentos com a expansão do cultivo voltado ao etanol, como as européias, e aos países produtores de petróleo, como os do Oriente Médio e a Venez uela.
Lula chegou a dizer que o Brasil precisa ter consciência de que tem “adversários que vão levantar todo e qualquer tipo de calúnia contra a qualidade do etanol e a qualidade do biodiesel”. Ele mostrou-se irritado sobretudo com críticas que países europeus têm feito ao biodiesel. Há afirmações de que a plantação de cana-de-açúcar para produção de etanol poderia invadir a Amazônia e danificar a floresta, além de alertas de que o deslocamento da produção de grãos poder resultar em elevação dos preços dos alimentos na próxima década.
Lula observou que foram os portugueses que introduziram a cana no Brasil e só não a levaram para a Amazônia por uma simples razão: o local não é apropriado para esse tipo de plantação. “Esse é um debate que o Brasil não tem que ter medo. O que nós não vamos aceitar, outra vez, é o cartel dos poderosos do mundo tentando impedir que o Brasil se desenvolva, tentando impedir que o Brasil se transforme em uma grande nação”.
Lula se disse convencido de que a produção de biocombustível ajudará no desenvolvimento dos países da América Latina e da África e que é importante olhar essa política sem mirar somente o mapa da Europa. “O Brasil não pode abrir mão, em hipótese alguma, de defender a sua matriz energética revolucionária, que é o etanol e o biodiesel”, declarou o presidente.
Lula afirmou que o País pretende “mostrar ao mundo” que essa tecnologia é importante não apenas por se tratar de um novo combustível, mas por sua capacidade de geração de empregos e renda.
RONALDO JACOBINA