PAC beneficiará 21 municípios baianos
Com investimentos de R$ 1,369 bilhão, as obras de saneamento e habitação vão melhorar a vida de 700 mil famílias
Cerca de 700 mil famílias baianas de 21 municípios do estado serão beneficiadas com obras de saneamento e habitação orçadas em R$ 1,369 bilhão (veja a relação completa das obras e investimentos no site www.agecom.ba.gov.br/pacbahia.pdf ).
Os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram confirmados ontem, em Salvador, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, abriu a apresentação mostrando os dados técnicos do programa na Bahia.
Serão 21 municípios beneficiados, sendo nove deles na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Outros cinco municípios do interior com mais de 150 mil habitantes, além de sete com população menor do que essa faixa também estão na lista. Esses sete foram escolhidos pela alta incidência de mortalidade infantil, doença de Chagas e malária.
As obras serão contratadas até o final deste ano. "Os critérios para a escolha dos municípios foram o fato de eles já terem projetos básicos com licença ambiental prévia e regularização fundiária", explicou Dilma Roussef. Ela destacou o importante papel do governador para a liberação dos recursos.
Na RMS, as obras terão como foco a despoluição da Baía de Todos os Santos e a ampliação do sistema de esgotamento sanitário de áreas degradadas. Na capital, por exemplo, serão beneficiadas áreas como a Baixa do Soronha, no bairro de Itapuã, e o Jardim Nova Esperança.
Além de Salvador, os municípios beneficiados pelo PAC na Bahia são: Ilhéus, Itabuna, Juazeiro, Lauro de Freitas, Santo Amaro, Simões Filho, Vitória da Conquista, Barreiras, Cachoeira, Camaçari, Candeias, Cruz das Almas, Feira de Santana, Itaparica, Madre de Deus, Maragogipe, Muritiba, São Félix, São Francisco do Conde e Vera Cruz.
Lula anuncia novos investimentos
"Não se ‘avexe’, Wagner, porque tem muita coisa que ainda vai acontecer na Bahia." Com essa frase, imitando com bom humor o sotaque baiano, o presidente Lula prometeu ao governador Jaques Wagner a liberação de mais recursos para a realização de obras e ações no estado, além dos R$ 1,369 bilhão anunciados ontem para as áreas de saneamento e habitação pelo PAC.
Na solenidade, realizada no Teatro Castro Alves, em Salvador, Lula adiantou os planos do governo federal de desenvolver ações no estado com recursos do Fundo Nacional de Habitação do Interesse Social (FNHIS), além da retomada dos projetos de irrigação do Baixio de Irecê e Salitre, em Juazeiro.
Clima propício
– Ele falou ainda de ações específicas voltadas para as comunidades indígenas e quilombolas e para as cidades com até 50 mil habitantes. Animado, o presidente ainda garantiu a Wagner: "A questão da dívida do cacau será definitivamente resolvida", respondendo à atenção especial solicitada pelo governador baiano, que discursou antes do presidente.O chamado PAC do Cacau está na agenda dos despachos de Lula com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Em todo o país, o PAC prevê investimentos de R$ 504 bilhões, até 2010. Segundo Lula, o PAC só foi possível graças à estabilidade econômica atingida no país.
"A casa está arrumada, com inflação controlada, sem a gente depender mais de estrangeiros, mas apenas da nossa capacidade, e este programa é apenas a grande primeira experiência do modelo de desenvolvimento que nós queremos fazer", afirmou.
Conselho
– Para que as obras da primeira etapa do PAC das áreas de saneamento e habitação deslanchem o mais rápido possível, Lula sugeriu a Wagner constituir o quanto antes um conselho gestor. "Isso porque não há, historicamente, o interesse de se investir em saneamento, porque simplesmente são obras que, apesar do grande impacto, não aparecem, pois os tubos ficam enterrados, não permitindo ao político afixar uma placa", disse.Segundo Lula, de 1998 a 2001, não foram realizados um investimento sequer, na área, no país. Lula também disse a Wagner que os gestores precisam se comportar como mãe. "Ela pode ter 10 filhos, mas estará sempre atenta a qual deles estará precisando realmente mais dela, mesmo que os outros chorem."
Boas notícias
– A metáfora foi usada para citar o caso da greve dos professores. "Eu jamais serei contra a greve, até porque venho do movimento sindicalista, mas também não se pode perder a racionalidade, querendo que alguém faça em seis meses o que não foi feito em 30 anos", completou.Ao encerrar o discurso, Lula deu novos conselhos ao amigo baiano: "Portanto, companheiro Wagner, estamos vivendo um momento único no país e não podemos desanimar, mesmo quando querem nos acordar cedo tentando dar más notícias. Quando fizerem isso com você, me ligue, pois, só terei notícias boas para a Bahia."
Fermento
Depois de declarar que considera Lula um dos três melhores presidentes da história do país (além dele, Juscelino Kubitscheck e Getúlio Vargas), Wagner agradeceu as ações federais no estado. "Só em relação ao PAC, eu esperava e anunciei até em entrevistas para a imprensa o valor de R$ 1,335 bilhão, quando soube agora que o valor é R$ 1,369 – ou seja, maior do que o esperado, o que me leva a crer que foi dado um fermento aí nessa vinda à Bahia", disse o governador, também bem-humorado.
Wagner agradeceu pelas obras, bem como pelas ações que vêm sendo realizadas em outras áreas, como educação e infra-estrutura. Os prefeitos dos municípios beneficiados nessa primeira etapa do PAC também agradeceram a Lula. Eles já assinaram os contratos com os ministros Márcio Fortes, das Cidades, e Dilma Roussef, da Casa Civil, ambos presentes ao evento.
O TCA ficou lotado de representantes das comunidades beneficiadas, a maioria vinda do interior. Muitos estavam pela primeira vez no maior teatro do estado. "Até essa presença popular nesse teatro é outra razão da nossa satisfação", afirmou Wagner.