Biodiesel baiano na rota alemã

16/07/2007

Biodiesel baiano na rota alemã

A vocação natural da Bahia para o cultivo de oleaginosas, matériaprima para a produção de biodiesel, tem colocado o Estado na rota mundial das discussões sobre energias renováveis. Prova disso é o interesse de países como a Alemanha, que tem se revelado um dos mais avançados do mundo na produção de biocombustíveis.

Ontem, um grupo de alemães, ligados ao Partido Verde (PV) daquele país, esteve reunido com autoridades locais para discutir a possibilidade de firmar acordos de cooperação técnica com o objetivo de estabelecer intercâmbio de pesquisas sobre a produção de biodiesel na Bahia.

Antes da reunião, que aconteceu na Fundação Luís Eduardo Magalhães, os especialistas germânicos estiveram nos municípios de Lapão, Iraquara e Irecê, onde estão sendo implantados projetos de agricultura familiar voltados para a produção de matériaprima como mamona, dendê, amendoim e pinhão-manso.

“Queremos estabelecer intercâmbios com empresas e governos para deslanchar projetos de produção de biocombustível”, afirmou o ex-ministro do Meio Ambiente do governo federal alemão alemão e vice-líder da bancada do PV no parlamento, Jügen Trittin.

Na proposta de cooperação técnica, os alemães propõem passar a experiência que possuem na produção de biogás e levar um pouco da exper tise baiana na área de biomassa. Uma das preocupações de ambas as partes é a redução da emissão de CO2.

Além disso, os alemães destacaram a importância de fazer um trabalho forte junto à indústria de automóveis. Segundo Trittin, na Alemanha, indústrias, como a Volkswagen, não admitem o uso de tecnologias como a implantada aqui de utilização de mais de um combustível nos automóveis.

A consultora de biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Edna Carmélio, afirma que a indústria brasileira diz que os combustíveis devem se adaptar aos veículos e não o contrário. “Isso demonstra que a briga não será fácil”, alerta.

Principal produtor de oleagionosas do País, a Bahia tem 93,7 mil das 246,3 mil hectares de terras plantadas do Brasil. Isso dá ao Estado o título de maior produtor de biodiesel nacional, ancorado ainda na capacidade de usinas instaladas.

Dos 400 milhões de litros produzidos anualmente no Nordeste, mais da metade é produzida na Bahia.

RONALDO JACOBINA