Avipal alonga dívida com empréstimo de US$ 40 mi
A Avipal, indústria de alimentos de capital nacional, com sede no Rio Grande do Sul, conseguiu alongar o prazo de vencimento de sua dívida ao captar US$ 40 milhões em um empréstimo externo de prazo de quatro anos, com um de carência.
A operação, um pré-pagamento à exportação, conta com a participação do espanhol Santander, do português Finantia e do Bladex (Banco Latino-americano de Exportações), instituição financeira supranacional, com sede no Panamá, criada em 79 pelos bancos centrais dos países da América Latina e do Caribe para promover o comércio na região.
De acordo com Luiz Yamasaki, representante do Bladex no Brasil, o empréstimo é a primeira operação sindicalizada a ser liderada pelo banco no país. O Bladex vinha realizando inúmeros empréstimos bilaterais para empresas e bancos brasileiros e até participando de operações lideradas por outras instituições financeiras. Mas, nunca havia saído à frente de um empréstimo tipo "club deal", na qual um grupo restrito de instituições participa em condições de igualdade.
Yamasaki diz que a liderança do Bladex no empréstimo é resultado direto da decisão da instituição financeira, de criar uma mesa de distribuição e compra de empréstimos no exterior de forma a ampliar sua atuação no mercado e a usar mais amplamente a capacidade em seu balanço. Segundo ele, o Bladex vem dando especial atenção ao setor de agronegócios no Brasil.
Em uma estrutura inovadora, os juros a serem pagos pela Avipal no empréstimo vão variar até 100 pontos percentuais, dependendo da performance financeira da empresa traduzida na relação entre a dívida líquida e o ebtida (lucros antes das despesas com impostos, juros, depreciação e amortização, espécie de geração de caixa operacional). Ele não quis revelar, no entanto, quais serão as taxas de juros a serem pagas pela empresa.
Segundo Yamasaki, a companhia tinha como principal objetivo alongar dívidas de curto prazo e reduzir o custo dessa dívida, melhorando índices financeiros. O Grupo Avipal atua nos segmentos de lácteos, frangos, suínos e industrializados, por meio das marcas Elegê, Santa Rosa, Dobon, El Vaquero, e Avipal. Em 2006, faturou R$ 2,162 bilhões.
CRISTIANE PERINI LUCCHESI