RIO - A valorização do real e a baixa cotação dos produtos agrícolas no mercado internacional levaram a uma queda nominal (sem descontar a inflação) de 15,1% no valor de produção da safra agrícola de 2006 em relação a 2005, o que representa uma redução absoluta de R$7,3 bilhões de um ano para o outro. A expectativa é que a variação de valor seja positiva em 2007.
Os dados foram divulgados ontem na Pesquisa Agrícola Municipal (PAM 2006) do IBGE. O analista da área de produção agrícola do instituto, Carlos Alfredo Guedes, disse que a queda no valor de produção foi conseqüência especialmente da valorização do real e dos preços internacionais desfavoráveis no primeiro semestre do ano passado. “Se esta comparação (do valor de produção) for feita em relação a 2004, a redução chega a 35,4%, ou a mais de R$22 bilhões”, explicou.
Os dados de queda no valor da produção foram apresentados na pesquisa como uma das justificativas para a redução de 5,2% da área plantada da safra 2006 em relação a 2005, interrompendo uma seqüência de crescimento que vinha ocorrendo desde 2001. Outro motivo apontado foi a falta de chuvas regulares. O recuo na área não impediu que a safra atingisse 117,3 milhões no ano passado, 4,1% maior do que a safra anterior.
O gerente do levantamento sistemático da produção agrícola (LSPA), Neuton Rocha, adiantou que, certamente, os dados relativos a valor de produção serão positivos em 2007. Ele argumenta que os preços internacionais começaram a subir no final do ano passado e prosseguem em trajetória de alta. “Em 2007, com certeza, o valor da produção vai subir bem e poderá haver uma tendência de aumento de preços nos próximos anos”, disse Rocha. Ele avalia que o interesse pelo etanol deverá reduzir a área plantada mundial de soja – com o aumento da produção de milho –, pressionando para cima os preços do principal produto da safra brasileira. Para Rocha, apesar da queda nominal no valor de produção no ano passado, a safra 2006 foi importante para a recuperação da produtividade no campo, especialmente na região Sul.
Soja - Produto mais importante da safra do ano passado, com 43% da produção total, a soja registrou uma colheita de 52,26 milhões de toneladas – 2,5% maior do que a safra anterior –, superando o recorde de 2003, quando havia chegado a 51,91 milhões de toneladas. O aumento da produção não impediu uma queda de 5,7% na área plantada da soja na safra passada ante a anterior. Segundo explicou Guedes, como na fase de intenção do plantio dessa cultura os produtores esperavam uma diminuição de preços, que veio a se confirmar em 2006, houve o recuo. Por outro lado, houve aumento no rendimento médio nacional da cultura, que ficou em 2.380 kg/hectare, volume 6,7% maior do que no ano anterior. Os três principais estados produtores de soja em 2006 foram: Mato Grosso (29,7% do total da produção), Paraná (17,8%) e Rio Grande do Sul (14,4%). Entre os municípios, o destaque de produção de soja no ano passado ficou com Sorriso (MT), com 3,4% da safra nacional. No ranking da safra agrícola total em 2007, os principais municípios produtores, em relação ao valor da produção, foram: São Desidério (BA), seguido de Sapezal (MT), Sorriso (MT) e Campo Novo do Parecis (MT). Entre os estados, a liderança, no que diz respeito ao volume produzido, ficou com o Paraná (19,8%), seguido do Mato Grosso (18,9%) e do Rio Grande do Sul (17,0%). (AE).