Frigoríficos vão à Bolsa para investir
Minerva é o terceiro a abrir capital e espera aplicar 70% do recurso obtido em novas unidades. O frigorífico Minerva, terceiro maior exportador de carne bovina do País, estréia hoje na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A empresa ofertou 24 milhões de ações ordinárias e captou R$ 444 milhões. Será a terceira do setor a abrir capital. O Friboi e o Marfrig já captaram R$ 2,6 bilhões com seus IPOs - oferta inicial de ações, na sigla em inglês (ver box), parte destinada a novos investimentos. A previsão dos analistas é que até o ano que vem todos os cinco maiores do País estejam na Bovespa e este movimento resulte na concentração do mercado.
Em abates, o Minerva já é o quarto do País e, de acordo com analistas de mercado, a destinação de 70% dos recursos obtidos para investimentos pode significar que a empresa ficará mais "agressiva". Atualmente o Minerva tem cinco plantas em quatro estados outras duas em construção em Rondônia e Pará. A estimativa da empresa é encerrar 2008 com 7,8 mil abates por dia, um crescimento de 56% sobre a capacidade atual.
"Acho que podemos esperar uma estratégia tipo a do Friboi, mais agressiva", avalia José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. Entre os cinco maiores, apenas o Minerva e o Independência não se internacionalizaram. Por isso, a aposta dos analistas é que, além de investimentos no Centro-Oeste e Norte - novas fronteiras da pecuária - a empresa possa vir a adquirir plantas no Mercosul. No entanto, segundo Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, afirma que a situação atual não permite grandes planos fora, uma vez que a Argentina vive uma crise e no Uruguai o Marfrig "praticamente está dominando o mercado".
Pelo prospecto da empresa, 40% dos recursos serão para a ampliação ou construção de plantas, 30% para aquisições e o restante para o capital de giro. No caso do Friboi, 70% da captação estava destinada a investimentos e, no do Marfrig, apenas 30%. "Não tem muito mais planta disponível no padrão de exportação para ser adquirida. Possivelmente vão partir para construção de novas unidades", avalia Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado.
Os analistas dizem que o setor está aquecido. Apenas neste semestre, as vendas externas brasileiras de carne bovina cresceram 31%, somando US$ 2,2 bilhões. "A abertura de capital permite a obtenção de recursos baratos e as empresas estão aproveitando esta oportunidade", avalia Ferraz. Ele diz que, como os frigoríficos pequenos estão com dificuldades, os grandes estão usando os recursos para tomar este mercado. Rosa acrescenta que a tendência é deste mercado se concentrar em apenas cinco empresas e, por isso, os grandes estão "correndo para estar entre elas".
Histórico
Sediado em Barretos (SP), o grupo é controlado pela família Vilela de Queiroz, do ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec). Em maio, transformou-se em sociedade anônima. Neste ano, antes mesmo da abertura de capital, o grupo já estava investindo, com a compra de uma unidade em Araguaína (TO), com capacidade de abate de 700 cabeças por dia, por R$ 20 milhões. Valor igual será investido na planta para a ampliação para 850 animais por dia, além da instalação de uma unidade de processamento de 140 toneladas por dia, capacitada para exportação.
NEILA BALDI