Semarh quer recuperar matas ciliares dos rios São Francisco e Carinhanha
O pescador Astrogildo Ferreira, 67 anos, nascido no município de Carinhanha, distante 780 quilômetros de Salvador, aprendeu com o pai a arte da pescaria. Aos 12 anos, Astrogildo já comandava a canoa que percorria o Rio São Francisco para buscar o sustento da família Ferreira.
Hoje, com a dificuldade de encontrar peixe no rio, Astrogildo espera que o filho mude de profissão e busque, através dos estudos, uma vida mais segura financeiramente.
Para defender a rica biodiversidade da região e propor alternativas sustentáveis de geração de emprego e renda para as comunidades tradicionais ribeirinhas, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh) marcou presença no III Encontro das Águas e dos Amigos.
O evento aconteceu no município de Carinhanha, sudoeste da Bahia, na divisa com o estado de Minas Gerais.
Durante o encontro, o secretário Juliano Matos assegurou à comunidade a implantação do Programa de Recuperação de Matas Ciliares, que pretende reflorestar as margens, para preservar os rios e conservar a cadeia de espécies nativas de peixes, como o dourado, cari, corvina, curumatá e mandim.
"Até o mais ilustre filho do Rio São Francisco, o peixe surubim, está difícil de encontrar", afirmou Antonio Rodrigues de Neto, presidente da Colônia de Pescadores de Carinhanha.
Segundo Neto, o fim da pescaria afetaria milhares de pessoas, já que a pesca é a segunda economia do município. "Eu vivo da pesca, assim como mais de 580 pescadores cadastrados na colônia. Nasci e cresci nessa vida e não sei fazer outra coisa. Se o peixe acabar, não teremos do que viver", lamentou Neto.
Segundo a prefeita de Carinhanha, Francisca Alves Ribeiro, é fundamental o apoio do Estado para preservar as riquezas ambientais da região. A preservação das matas ciliares (margem do rio) contribui para evitar o assoreamento do leito e preservar a piscicultura.