Mamona é a nova aposta da Petrobras
Principal parceira do Programa Nacional de Biocombustíveis, a Petrobras está muito próxima de tornar realidade a obsessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tornar a mamona a matéria-prima de um combustível internacional.
A primeira etapa de testes de duas iniciativas neste sentido foram concluídas, e os resultados credenciam a oleaginosa. A estatal já consegue produzir com tecnologias brasileiras, uma delas patenteada, biodiesel com padrões que atendem também aos mercados norte-americano e europeu.
Além disso, o desempenho de veículos nas estradas mostra que o óleo vegetal faz tão bem aos motores quanto o diesel comum. Um ciclo de testes em parceria com a Ford e a Unifacs, na Bahia, até agora prova que o resultado do veículo usando diesel misturado a 5% de óleo de mamona (B5) é idêntico ao do motor que roda com o combustível fóssil e do B5 de soja.
Seis caminhonetes modelo Ranger, duas com cada fórmula, rodaram mais de 45 mil quilômetros. “O motor não reclama”, comemora Mozart Schimitt, gerente de desenvolvimento energético da Petrobras. “Isso quer dizer que mamona dá”, completa. Para provar que não só a mamona mas outras oleaginosas brasileiras – como dendê, pinhão-manso e tungue – são viáveis, a Petrobras também já investiu R$ 20 milhões, desde 2005, em duas unidades experimentais no Pólo de Guamaré, a 180 km de Natal, onde ocorre a produção de gás e petróleo do Rio Grande do Norte. A primeira está fazendo adaptações no processo clássico de produção para processar o óleo da mamona e de outras sementes nacionais.
A segunda é inédita. Já extrai biodiesel de dentro da mamona. Isso elimina a compra do óleo – que representa 80% do custo de produção de biodiesel – e permite a instalação de uma usina em qualquer rincão próximo à produção das sementes. Ambas as usinas de teste têm grau de nacionalização de quase 100%.
“Temos quase 100 milhões de hectares disponíveis no Brasil para cultivo. Isso quer dizer que o Brasil pode ser a Arábia dos biocombustíveis”, aposta Carlos Khalil, do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e criador do processo que resultou em patente em 2003.
Os procedimentos industriais em curso são distintos, mas têm objetivos únicos: desenvolver tecnologia própria para processar as plantas brasileiras – o mundo está voltado à soja (EUA) e à canola (Europa) como matérias-primas –, reduzir sensivelmente os custos e alcançar independência em relação às safras, sujeitas às intempéries climáticas e aos humores dos pro dutores.
Por exemplo, o produtor de soja pode escolher entre vender óleo ou comida. A mamona não é comestível e seu processamento para outros fins é muito caro. Produzir biodiesel a partir de oleaginosas fora da cadeira alimentar é o ideal, para fugir de quebra de safra, ou seja, ter matéria-prima o tempo todo. A mamona nos oferece isso”, afirma Mozart Schimitt