Gado precisa de investimento

27/07/2007

Gado precisa de investimento

O Brasil precisa investir mais em tecnologia, recursos nutricionais e sanidade, para aproveitar melhor o potencial do seu rebanho bovino e aumentar sua participação no mercado mundial de carne. Com esta preocupação ambiental, e interessados numa pecuária cada vez mais “limpa”, é que cerca de 500 pecuaristas, técnicos e representantes da cadeia produtiva do segmento agropecuário estão reunidos em Salvador, no Congresso Internacional do Boi de Capim, que acontece até hoje.

“Somos o fornecedor que mais tem condições, em termos de volume, de atender o mercado internacional, mas sem esses investimentos ficamos muito abaixo do nosso potencial”, destacou o pecuarista e presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, Nelson Pineda. Maior exportador de carne do mundo, responsável por 27% da carne consumida, e dono do segundo maior rebanho bovino do planeta, com 205 milhões de cabeças (atrás somente da Índia, que tem 282 milhões), o Brasil é também o maior produtor do chamado boi orgânico, criado exclusivamente com capim e sem confinamento.

Pineda acrescentou que, como se trata de uma carne sem aditivos, mais saudável, é muito bem vista pelo mercado internacional, mas o consumidor observa não só a qualidade da carne, mas também o valor ambiental do produto, os valores sociais adotados nesta produção, o respeito ao animal e as questões sanitárias. Cumprindo estes requisitos, o país não tem concorrente neste tipo de produção: os únicos países que criam boi de capim na América do Sul são o Uruguai e a Argentina. Ocorre que, o primeiro não tem espaço para aumentar a produção e o segundo adotou medidas de embargo à exportação, para forçar a queda do preço no mercado externo.

No Brasil são abatidas 45 milhões de cabeças de gado bovino por ano e cerca de 20% deste volume são vendidos para o exterior, o que representa US$ 4 bilhões em divisas para o País. “Se somarmos a carne com o couro, este valor fica em volta de US$ 7 bilhões, que é um pouco menos do que gera o complexo cana-de-açúcar”, informou Pineda, destacando a importância da pecuária para a economia nacional.

Porém, ganhar o mercado internacional exige investimento, sobretudo em sanidade animal e vegetal. Enquanto os Estados Unidos injetam mais de US$ 1 bilhão neste setor, o Brasil aplicou na mesma área recursos tímidos de R$ 46 milhões em 2005 (cerca de US$ 22 milhões).

BARREIRAS – Com todo o ambiente propício para exportação, a Bahia, que tem o sexto rebanho do País, precisa se profissionalizar, na opinião do diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Altair Oliveira. “Não há investimento dos empresários em material humano, nem em programas de segurança alimentar ou na qualidade tecnológica dos frigoríficos“, criticou. “O setor industrial deve se organizar para produzir o boi adequado à exportação, porque o setor primário já está organizado para produzir este boi de qualidade”, disse.

Oliveira se refere principalmente à vacinação contra a febre aftosa, o principal problema sanitário na pecuária, do qual a Bahia está livre desde 2001, quando ganhou o certificado de zona livre da doença. Este ano, cerca de 96% dos 11,2 milhões de animais do Estado foram imunizados na última campanha, realizada em março.

Segundo o diretor da Adab, as ações do Estado agora são no sentido de tornar a Bahia zona livre da aftosa, mas sem vacinação, o que agrega ainda mais valor à carne produzida aqui. Para isso, informou Oliveira, estão sendo reestruturadas as barreiras sanitárias, tanto fixas quanto móveis, e reforçado o controle do trânsito interno de animais.

LUCIANA AMORIM