Gás de campos maduros começa a suprir a Bahiagás
O consórcio formado pelas empresas Panergy e ERG Petróleo e Gás será o pioneiro na venda de gás extraído de campos maduros. As empresas assinaram contrato de dez anos com a Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) para fornecimento do combustível. É o primeiro contrato do gênero firmado desde outubro de 2005, quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fez a primeira licitação de áreas marginais de ocorrência de gás e petróleo.
No primeiro ano de contrato, que começará a ser contado daqui a 90 dias, o fornecimento será de 10 mil a 15 mil metros cúbicos de gás natural por dia, ou cerca de 7 milhões de metros cúbicos ao longo de 12 meses. A partir do segundo ano, o volume deverá subir para até 35 mil metros cúbicos - em um ano, total de 10 milhões de metros cúbicos, segundo Normando Paes, um dos sócios da Panergy.
O gás está sendo extraído do campo de Morro do Barro, no município de Vera Cruz. O campo foi descoberto em abril de 1962, entrou em produção em setembro de 1964 e produziu até 1988. Ao deixar de ter escala que viabilizasse sua exploração pela Petrobras, a antiga concessionária, o campo foi devolvido à ANP. Dos 11 poços perfurados, cinco estão sendo mapeados pelo consórcio ERG/Panergy.
O gás será transportado por carretas na forma de gás natural comprimido (GNC), que atende basicamente os postos de combustíveis. A partir de novembro, o gás do campo de Morro do Barro também deverá abastecer o primeiro dos dois novos ferry-boats que farão a ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica, na Baía de Todos os Santos, onde fica o município de Vera Cruz.
A TWB, concessionária do sistema de ferry-boats, pretende colocar a segunda nova embarcação em funcionamento até dezembro de 2008.
"O volume de gás pode não parecer significativo, mas ele recupera poços e energia que estavam parados, sem uso nenhum", diz Antonio Carlos Batista Neves, secretário estadual de Infra-Estrutura, pasta à qual a Bahiagás está ligada. "Esse gás atende uma demanda localizada e pode até abastecer pequenas indústrias".
Até agora, foram realizados dois leilões de campos maduros pela ANP. A Panergy foi a única empresa a conseguir arrematar áreas nas duas rodadas - a outra, a do campo do Espigão, no Maranhão, foi descoberta pela Petrobras em 1969, mas nunca havia sido colocada em produção. "Em Morro do Barro, já detectamos potencial de trabalhar em outros poços além dos cinco em que já estamos atuando", diz Normando Paes.
A oitava rodada de licitações da ANP, de novembro do ano passado, foi a do segundo leilão de áreas marginais. Ela havia sido suspensa pela 9ª Vara Federal de Brasília sob o argumento de que os critérios exigidos prejudicariam a participação da Petrobras. Há menos de duas semanas, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a ação, o que volta a dar fôlego aos pequenos empreendedores que têm entrado no mercado de óleo e gás com o leilão de campos maduros. O campo do Espigão, da Panergy, por exemplo, está em fase de obtenção de licença ambiental. O campo tem reservas de gás natural estimadas em 283 milhões de metros cúbicos.
PATRICK CRUZ