Colheitas para biocombustíveis serão 'marginais' até 2010

03/08/2007

Colheitas para biocombustíveis serão 'marginais' até 2010

Notícia retirada do site: www.biodieselbr.com

A produção de biocombustíveis será uma saída "marginal" para as colheitas de cereais da União Européia pelo menos até 2010, segundo um relatório publicado pela Comissão Européia (CE) nesta terça-feira sobre as perspectivas dos mercados agrícolas para o período de 2007 a 2014.

Bruxelas calcula que a procura de matérias-primas para a produção de biocombustíveis aumente, mas prevê que sejam necessários vários anos até que o desenvolvimento desses combustíveis ecológicos tenha um impacto na produção de cereais em grande escala. Segundo a CE, o cultivo para biocombustíveis "deixará de ser uma saída de mercado marginal" a partir de 2010.

Dentro dos mercados comunitários, a venda de cereais crescerá ligeiramente graças à procura emergente de bioetanol (combustível a partir de álcoois ou açúcares agrícolas) e biomassa, assim como as iniciativas empreendidas pela UE. Os líderes da UE estabeleceram como meta ampliar o uso de biocombustíveis de maneira que em 2020 represente 10% do consumo de energia nos transportes.

Em geral, a CE calcula que a renda agrícola terá uma evolução favorável a médio prazo e poderá crescer 21% entre 2006 e 2014, ainda que este aumento "esconda" diferenças entre os rendimentos dos agricultores dos países que entraram na UE antes de 2004 e os 12 que se incorporaram depois da Europa Central e do Leste Europeu.

Após a cúpula UE-Brasil, realizada em 4 de julho, em Lisboa, a Comissão Européia promoveu uma conferência mundial sobre biocombustíveis, na qual participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro português, José Sócrates, além de acadêmicos e representantes de companhias do setor.

Setores

Segundo a Comissão Européia, a procura por rações "estancará" e baixará ligeiramente devido ao aumento de resíduos de proteínas vegetais procedentes da produção de biocombustíveis, que serão empregues para a alimentação animal. Bruxelas prevê que o setor das oleaginosas aumentará a produtividade, devido a melhores condições nos mercados mundiais e ao aumento da procura de biodiesel (combustível ecológico obtido de gorduras vegetais).

Embora a UE vá contar com um aumento de produções como a soja, colza ou girassol, continuará a ser um importador líquido nos próximos sete anos. Quanto ao setor de açúcar, a CE calcula um "período de transição" até 2009, até que as indústrias se reestruturem, liberalizem as importações de países menos desenvolvidos e se expanda a indústria dos biocombustíveis.

Nas produções animais, as perspectivas da CE são "relativamente positivas" para os setores avícola e suíno e para os mercados lácteos. Já o segmento bovino deve cair. O consumo de carne por pessoa na UE sairá da crise causada pela gripe aviária e aumentará em 3,2% até 2014. Também se prevê uma queda da produção de carne de cordeiro e de caprinos.