Trabalho escravo é investigado
Quatro trabalhadores rurais denunciaram no Ministério do Trabalho, em Itabuna, que teriam sido vítima de trabalho escravo na empresa Culturas Tropicais Ltda.
(Cultrosa), com sede no município de Camamu (a 335 km de Salvador) e que arrendou a fazenda da Unacafé, antiga Unacau, em Una, onde produz cacau, café e seringa. Márcio Ferreira Figueiredo, 33 anos, Adailton Martins Moreira, 21, Domingos dos Santos Nascimento, 20 anos, e um adolescente de 17 disseram que foram recrutados em Ubatã, onde moravam.
Todos acertaram com um homem não identificado para trabalhar na colheita de café, recebendo R$ 6, por lata de 2 kg colhida, alojamento e alimentação. “A realidade foi outra”, contaram na Polícia Rodoviária Federal em Itabuna. Os patrulheiros disseram que eles fugiram à noite e chegaram famintos, após andarem mais de 50 km a pé, na semana que passou Segundo os trabalhadores, que integravam um grupo de 12 recrutados em Ubatã, no alojamento da empresa, havia camas de cimento sem colchão e a alimentação era comprada na própria fazenda, a preços muito elevados, que consumiu o dinheiro que tinham a receber pelos 11 dias que trabalharam na empresa. Segundo os trabalhadores, antes deles, outros dois já tinham fugido do local, mas outros 30 continuam na fazenda.
Após ouvir as denúncias, os patrulheiros encaminharam os quatro ao Ministério do Trabalho. O promotor Pacífico Antônio Luz de Alencar Rocha, que tomou os depoimentos, foi removido para Salvador, mas deixou a denúncia distribuída para Rômulo Barreto de Almeida, promotor que tomou posse recentemente.
O OUTRO LADO – Na Cultrosa, as informações são que a empresa tem 40 empregados contratados que trabalham no campo e na central de beneficiamento de café. O auxiliar administrativo Jackson Souza Leal destaca que, para a colheita, colheita, a empresa contratou três empreiteiras, legalmente constituídas e que fornecem notas fiscais, para serem responsáveis pelo recrutamento e pela lida diária com esses trabalhadores, que ganham por produção durante os quatro meses de colheita do café.
“Nós repassamos o dinheiro para pagar os trabalhadores, mas as empreiteiras é que lidam diretamente com eles”, explica Leal, esclarecendo que a Cultrosa pagava R$ 1,50 por lata colhida e aumentou para R$ 1,80. Leal confirma que as camas são de cimento, mas diz que todo trabalhador recrutado tem que levar seu colchão e roupas. “A empresa tem uma Toyota que dá carona aos empregados. Eles não precisavam ter fugido, como disseram”, assinala.
Hélio Batista de Souza, da empreiteira Jardinagem Batista, que contratou dois dos homens, disse que eles ficaram na fazenda quatro dias e quase nada produziram. “Eles saíram às escondidas, sem pagar R$ 7,50 da passagem de vinda e os R$ 130 da cesta básica, que seriam descontados”, acusa.
ANA CRISTINA OLIVEIRA