Proteção mais segura para a manga
Pesquisadores da Embrapa SemiÁrido, em Petrolina (PE), estão estudando a aplicação de irradiação na manga, com pequenas doses de radiação gama, no tratamento quarentenário de pragas como a mosca-das-frutas. Os avanços no mercado internacional de manga irradiada é tema de discussões entre pesquisadores e técnicos brasileiros de instituições de pesquisas com energia nuclear na agricultura.
Segundo os pesquisadores, até o momento, o método de tratamento usual para controle da moscadas-frutas consiste na imersão da manga em água quente a uma carga térmica de 46,1º C por 75 minutos (frutas com peso abaixo de 420 g) ou 46,1º C por 90 minutos (frutas acima de 420 g). Esse procedimento, segundo alguns pesquisadores, pode comprometer a qualidade dos frutos, o que não ocorre com a irradiação, cujo tratamento tem a mesma eficiência, sem afetar a fruta.
O pesquisador da Embrapa SemiÁrido Joston Simão Assis afirma que outros tipos de tratamento como o térmico, por exemplo, podem criar problemas. Caso a manga não esteja no ponto de maturação adequado, o calor pode causar manchas internas. “É difícil para os agricultores homogeneizar toneladas de mangas para serem iguais e, por isso, perdem muitas frutas durante o tratamento. E nem sempre é visível, sendo que o problema só é detectado por quem comprou o produto e isso pode causar perda da credibilidade”, diz ele.
Com o processo de tratamento da fomigação, usava-se um gás considerado extremamente tóxico e volátil. Por esse motivo foi proibido seu uso em alimentos, permitido apenas para as bases de madeira onde se colocam as caixas de frutas para exportação.
“Fica a irradiação, um processo que consiste em submeter os produtos à ação de irradiações ionizantes (radioativas, térmicas ou elétricas). Essa aplicação de irradiação é normatizada pelo Codex Alimentares – código internacional do qual participam todos os países que são membros da Organização das Nações Unidas”, explicou Joston Assis.
Ele diz que cientistas desses países se reuniram e escreveram o código de como deve ser tratado o alimento. “Existem as normas de como deve ser feita a irradiação. Entende-se, portanto, que irradiação bem aplicada não pode ser nociva ao consumidor”, lembra o pesquisador da Embrapa. Para ele, o receio do consumidor está no desconhecimento, por esse motivo torna-se importante mostrar à população que não existe perigo em consumir esses produtos.
Ele garante que o tipo de tratamento usado para quarentena de frutas é uma dose tão pequena que nem chega a aquecer a fruta.
“Os raios praticamente atravessam a fruta, atingindo apenas o ovo, a larva e o inseto. Conseqüentemente, depois do tratamento, já não existe mais radiação na manga. O radioativo é a fonte que emite os raios que atravessa a fruta para destruir o obstáculo (o ovo, a larva e o inseto)”, informou.
Para exemplificar a freqüência de utilização da irradiação em produtos alimentícios e os hábitos de outros países, o pesquisador assegura que em países da União Européia já são consumidos diversos produtos irradiados. Para ele, “esses exemplos podem ajudar as pessoas a enxergarem melhor o trabalho feito com irradiação dos alimentos e não temer tanto”. Irradiação aplicada, por exemplo, em farinha ou cereais secos são em doses bem mais elevadas que as usadas na manga.
“Emmaio, os EUA receberam a primeira carga de manga irradiada da Índia, e o México está em fase de construção de um irradiador. Essa é mais uma pedra que vai pavimentar o caminho para o futuro uso da tecnologia da irradiação como proteção contra pragas vegetais”, defende o pesquisaror Joston Assis.
CRISTINA LAURA