Búfalos ficam fora de mostra pecuária mais uma vez
Este ano, entre os 6 mil animais mostrados na Exporural, que começou dia 4 e vai até domingo, dia 12, não há búfalos. O presidente da Associação dos Criadores de Búfalos da Bahia, Marcelo Abreu, lamentou a ausência e disse “que tudo foi uma infeliz coincidência”, sem nenhum propósito. A Associação Baiana dos Criadores de Cavalos, organizadora da exposição, disse que aguardou pelas inscrições, mas, nem mesmo a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) incluiu a mostra de búfalos entre suas ações, como em anos anteriores.
Para Marcelo Abreu, a ausência de bubalinos na Exporural – na última edição da Fenagro, no ano passado, foram apenas 35, diante de quase 10 mil outros animais inscritos – não se configura situação negativa para o rebanho baiano. “Estamos bem, nossa ausência deveuse a problemas específicos de cada criador”, justificou.
Não há registro preciso e o rebanho de búfalos na Bahia estaria em torno de 20 mil cabeças (em 2005 eram 18.339, segundo dados do IBGE, contra 10,5 milhões de bovinos).Na avaliação de Marcelo Abreu, a imprecisão deve-se a falhas na contagem do gado. Uma delas, cita, seria a não-distinção entre os dois rebanhos, por exemplo, nos registros de compra de vacina contra a febre aftosa. “Na contagem final, o bovino acaba beneficiado, quando também há bubalinos”, diz ele.
PRODUÇÃO DE LEITE – A criação de búfalos na Bahia está assentada basicamente na produção de leite, uma opção que se fortaleceu a partir do final da década de 1990 e início do ano 2000, principalmente na região do Recôncavo.
Há rebanhos para produção de carne nas regiões sul, extremo sul e sudeste do Estado, segundo historia historia o empresário Urbano Antônio de Souza Filho, ex-presidente da Associação dos Criadores de Búfalos da Bahia e proprietário do Laticínio Natal.
Ele cria búfalos há 10 anos, com produção industrial de quase 2 mil litros de leite por dia, e diz que, para a Bahia, a produção de leite para a industrialização é altamente rentável.
Tanto, argumenta, que o Estado tem cinco grandes laticínios e Salvador, ao lado de São Paulo e Belo Horizonte, projeta-se como grande consumidora de produtos derivados do leite de bubalinos.
EXPORURAL – Os organizadores da Exporural estimam que cerca de 300 mil pessoas, com média de 35 mil por dia, passem pelo Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador até o fim da exposição agropecuária. Serão cerca de 400 expositores de animais e 250 estandes comerciais, oriundos de 16 Estados brasileiros. A expectativa de negócios é de R$ 30 milhões.
Empresários diz que industrializar o leite é vantajoso
Em todo o Estado, a produção de leite de búfala chega a 3.500 litros diários, industrializados nas próprias fazendas. “Quando produzido para a industrialização, este leite torna-se altamente rentável, ganhando do bovino”, diz Urbano Antônio de Souza Filho, mostrando os preços: – A indústria compra o litro de leite de bubalino por preços diferenciados, que vão de R$ 0,85 a R$ 1 (o leite bovino custa em média R$ 0,50), que recupera, no final da cadeia, beneficiada por diversos fatores, desde o preço de seus produtos, também diferenciados, ao menor volume do leite usado na produção, no caso do leite de búfala.
O empresário informa que, para fabricar um quilo de queijo Minas frescal são necessários 7 litros de leite de vaca, contra 3,5 litros de búfala, com o diferencial, ainda, de o produto originário do leite bubalino custar mais caro, por isso render mais para a indústria, que conta com clientela de poder aquisitivo mais alto, o que sempre assegura o consumo.
No início da criação de búfalos na Bahia, nos anos 1980, o rebanho estava voltado basicamente para a produção de carne e, em alguns casos, para a produção de reprodutores, que eram comercializados para outros centros. Urbano Antônio diz que a Bahia exportou e ainda exporta reprodutores para Estados do Amapá e Pará e para Ilha de Marajó.
ARI DONATO