Governo quer reerguer cultura do algodão no Sudoeste
Traçar estratégias para retomar o cultivo do algodão na região sudoeste do estado, que na década de 80 chegou a ter 330 mil hectares de área plantada. Esse foi o principal ponto discutido no primeiro dia do seminário ‘’Desafio da Cadeia Produtiva do Algodão’’, realizado no município de Guanambi, a 796 quilômetros de Salvador. O evento, que segue até amanhã (9), reune cerca de 400 agricultores familiares de 11 municípios da região. Eles puderam participar de debates e palestras sobre beneficiamento, comercialização, defesa fitossanitária e crédito.
Segundo o secretário da Agricultura Geraldo Simões, que participou da abertura oficial do seminário na manhã de hoje (8), as parcerias firmadas entre os governos federal, estadual e municipal, instituições financeiras e pequenos produtores vão garantir o sucesso das ações identificadas durante o seminário para a revitalização da cultura do algodão.
“As crises fazem parte da vida, contudo o mais importante é ter inteligência para superá-las. Portanto estamos aqui para discutir a melhor forma de recuperar o cultivo do algodão nesta região. Já sabemos que é preciso agir de forma diferente, que precisamos trabalhar em equipe. Vamos trazer o que há de mais moderno e que está sendo usado na cultura do algodão na região oeste do Estado’’, disse o secretário.
Simões fez uma breve comparação com a situação do sul do estado que vive a crise da lavoura cacaueira e tem como uma das suas vertentes para a revitalização a diversificação das culturas, aproveitando a já existente. “Vamos trazer novas tecnologias para o manejo, o cultivo e para a defesa sanitária, para revitalizar a cotonicultura, mas não vamos esquecer de diversificar as culturas, trabalhando com oleaginosas para a produção do Biodiesel. É muito importante melhorar o cultivo da cana-de-açúcar, da mandioca, do feijão, dentre outros cultivos da região para que não se viva da monocultura”, enfatizou.
Programação
No segundo dia de seminário estarão presentes líderes comunitários e representantes das diversas entidades, como a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Codevasf, Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Embrapa, Banco do Nordeste e Banco do Brasil, para finalizar o documento que será encaminhado ao Governo do Estado, por intermédio da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) com sugestões para a revitalização da cultura do algodão.
Segundo o superintendente de Agropecuária da Seagri, Wilton Cunha, o seminário serviu como base para articular esforços que estavam dispersos. “Vamos trabalhar em conjunto. A Seagri, através da EBDA, vai poder realizar pesquisas e preparar novas tecnologias. Já a Adab poderá fazer a vigilância e o acompanhamento da principal praga do algodão, o bicudo”.
Expectativa
Para José Cardoso de Sá, pequeno produtor da cidade de Urandi, estar participando deste seminário é muito importante, tendo em vista que ele vai poder discutir a melhor forma para a retomada do cultivo do algodão em sua propriedade. “Estamos confiantes e acreditamos que sairemos com soluções boas para todos. Vamos poder plantar o algodão sem medo”, afirmou. Da mesma forma pensa Nelson Alves, agricultor da cidade de Iuiu. “Hoje estamos aqui para ouvir e falar. Um novo caminho se abre para o algodão nessa região”.
A Bahia é hoje o segundo maior produtor de algodão do país, com uma área plantada de 302 mil hectares, sendo a região oeste responsável por 90% da produção. Desde o início da década de 90 a cultura de algodão da região sudoeste, que já foi a principal produtora de algodão na Bahia, vive em crise.
Ascom/ Seagri
Manuela Matos
3115-2737/2767
08.08.07